Pancreatite Aguda

Fonte: Blog da Jaleko

📅Atualizado em: 14/06/2020 – ⏱Tempo de leitura: 4 minutos

Considerações Gerais

O National Inpatient Sample dos Estados Unidos diz que a pancreatite aguda é um dos diagnósticos gastrointestinais mais comuns em pacientes hospitalizados.

A incidência desta doença vem aumentando, sendo responsável por mais de 250 mil hospitalizações por ano, custando anualmente cerca de 2,6 bilhões de dólares. Além disso, as taxas de hospitalização são maiores conforme a idade, sendo mais comuns em pessoas do sexo masculino e negros.

Etiologia

A pancreatite aguda pode ser originada por diversas causas, dentre elas o aumento de triglicerídeos (gordura) no sangue, alguns medicamentos, traumatismo, cálculo na vesícula e alcoolismo, sendo estas duas últimas as principais causas.

A litíase biliar (cálculo na vesícula) é o principal fator desencadeante de pancreatite aguda. Assim, por mais que a ultrassonografia não seja um bom exame para diagnosticar pancreatite, ela usada em casos de suspeita desta doença para procurar cálculos biliares que possam estar levando ao quadro de pancreatite aguda.

Patogênese

A pancreatite é dividida em intersticial (leve) e necrosante (mais grave).

O pâncreas é um órgão que produz hormônios e o suco pancreático, que contém inúmeras moléculas digestivas.

O suco pancreático é alcalino, enquanto que o conteúdo do estômago é ácido. Assim, quando o suco pancreático entra em contato com o conteúdo gástrico no intestino delgado, ele tampona o pH do meio, deixando-o menos ácido para proteger o intestino.

Nesse conteúdo produzido pelo pâncreas, temos moléculas que fazem a digestão, as quais damos o nome de enzimas. Estas enzimas são produzidas na sua forma inativa, que chamamos de zimogênios, para que elas não possam digerir o tecido pancreático. Em um indivíduo normal, os zimogênios só são ativados na luz do intestino para ajudar na digestão dos alimentos.

Em casos de litíase biliar, o cálculo pode sair da vesícula e ficar preso no caminho que o suco pancreático percorreria. Assim, este suco cheio de enzimas fica retido, não conseguindo passar para o intestino. Com isso, não haverá a ativação das enzimas pancreáticas na luz do intestino, mas no local onde ficaram retidas. Assim, ao invés de digerirem os alimentos, elas irão digerir o pâncreas, gerando lesão celular e inflamação pancreática.

A lesão celular e a inflamação podem ficar restritas ao pâncreas ou podem alcançar outros órgãos, podendo resultar na Síndrome da Angústia Respiratória Aguda (SARA), Síndrome da Resposta Inflamatória Sistêmica (SIRS) e falência múltipla de órgãos.

Atualmente, sabe-se que fatores genéticos estão atrelados ao nível da doença porque estes podem controlar a atividade da tripsina (uma das principais enzimas para digestão) dentro da célula acinar pancreática, fazendo com que ela lese mais ou não o pâncreas.

Sinais e Sintomas

O paciente com pancreatite crônica relata dor abdominal, e esta vai desde um desconforto leve a um sofrimento intenso, constante e incapacitante. Nos casos típicos, ela se localiza na região superior do abdome e na região envolta do umbigo, podendo ir até as costas, tórax e parte lateral e inferior do abdome.

Febre baixa, taquicardia, hipertensão, náusea, vômito e distensão abdominal podem ser observados.

Devemos estar atentos aos sinais de gravidade como Sinal de Cullen (coloração azul-pálida ao redor do umbigo indicando hemoperitônio) e Sinal de Turner (coloração azul-arroxeada ou verde-acastanhada na parte lateral da barriga indicando catabolismo tecidual da hemoglobina pela pancreatite necrosante grave com hemorragia).

Dados Laboratoriais

Níveis séricos de lipase e amilase 3 ou mais vezes acima da normalidade praticamente confirmam o diagnóstico, desde que seja excluída a presença de perfuração, isquemia e infarto do intestino. É importante salientar que a quantidade desses componentes não indica prognóstico! Assim, por mais que a lipase e a amilase estejam muito elevadas, não significa dizer que este paciente esteja grave.

A lipase é a melhor medida quando comparada com a amilase porque ela tem seus níveis séricos elevados até 7-14 dias, enquanto a amilase permanece por apenas 3-7 dias. Além disso, a lipase é mais específica para pancreatite aguda quando comparada com a amilase.

Hiperglicemia pode estar presente porque temos lesão das células pancreáticas, assim estas não irão secretar insulina, que é o hormônio responsável por colocar a glicose para dentro das células.

O paciente também pode apresentar leucocitose (aumento da série branca do sangue).

Marcadores de Gravidade

Qualquer dor aguda intensa no abdome ou no dorso deve levantar suspeita de pancreatite aguda. O diagnóstico se dá pela presença de 2 dos 3 critérios seguintes:

  • Dor abdominal típica no epigástrio que pode se irradiar para o dorso;
  • Elevação de 3 vezes ou mais dos níveis séricos de lipase e/ou amilase;
  • Alterações confirmatórias de pancreatite aguda em exames abdominais de imagem no plano transversal.

Tratamento

O tratamento começa no setor de emergência e a sua escolha deve depender da gravidade da doença.

Depois da confirmação do diagnóstico, é iniciada a ressuscitação líquida agressiva, analgésicos IV e dieta zero com o objetivo de fazer um repouso glandular para que não haja a produção de mais enzimas pelo pâncreas.

Os pacientes que não responderem à ressuscitação líquida devem ser considerados para internação na unidade de cuidados intermediários ou intensivos para o recebimento de ressuscitação líquida agressiva, monitorização hemodinâmica e tratamento da necrose e falência de órgãos.

Referência

JAMESON,J. L. et al. Medicina interna de Harrison. 20. ed. Porto Alegre: AMGH, 2020. 2 v.

Publicado por Jadhe Maillard

Jadhe Maillard Oliveira, 20 anos. Acadêmica do 5º período de Medicina da Universidade Estácio de Sá Membro Fundador da Liga Acadêmica de Cirurgia Pediátrica UNESA (LACIPED) Membro do diretório da Liga Acadêmica de Neurocirurgia UNESA - JU (LiNCES) Membro da Liga Acadêmica de Medicina Integrativa (LAMIN)

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