Regurgitação aórtica

Figura 1 –
https://cirugiacardiovascular.com.mx/enfermedades-cardiovasculares/insuficiencia-aortica/

A regurgitação ou insuficiência aórtica (figura 1) é classificada como uma valvopatia regurgitante, assim como a regurgitação mitral. Ela ocorre quando a válvula aórtica possui dificuldade de fechamento na diástole.

As causas crônicas mais comuns são válvula bicúspide (figura 2) e doença reumática (figura 3) e a causa aguda mais comum é o trauma. Outros aspectos que também podem contribuir são hipertensão arterial sistêmica, doenças mixomatosas, dissecção da aorta e doenças do colágeno.

Figura 2 –
 https://www.tuasaude.com/valvula-aortica-bicuspide/
Figura 3 –
https://www.hidoctor.com.br/cid10/p/capitulo/9/grupo/I05-I09/categoria/I06/subcategorias

Fisiopatologia

Figura 4 – https://pt.wikipedia.org/wiki/Insufici%C3%AAncia_a%C3%B3rtica

Na diástole, o ventrículo esquerdo (VE) recebe sangue do átrio esquerdo (AE) e como a válvula aórtica não consegue fechar devidamente, recebe volume também o volume regurgitado da aorta. Assim, ele recebe mais volume do que deveria e se distende (figura 4).

Na próxima sístole, realiza uma contração mais forte para conseguir mandar todo o volume recebido para a circulação sistêmica. Por isso, o pulso do paciente possui amplitude aumentada.

Como parte do volume ejetado para a aorta volta para o VE, o sangue passa rápido pela periferia. Para a mesma conseguir extrair sangue e nutrientes necessários, realiza vasodilatação como mecanismo compensatório e aparecem os sinais periféricos.

O paciente não desenvolve nenhum sintoma desde que o VE consiga ejetar todo o volume para a circulação e a periferia realize vasodilatação. Caso essa não ocorra, a periferia não consegue receber sangue e nutrientes necessários e os sintomas aparecem.

Na medida em que as regurgitações aumentam, a pressão dentro do VE aumenta e tende a empurrar e fechar precocemente a válvula mitral, mesmo na diástole, dificultando o deslocamento do sangue do AE para o VE.

Progressivamente ocorre disfunção, insuficiência e esgarçamento ventricular esquerdo, dificultando a ejeção de todo o volume para a circulação e consequentemente o aparecimento dos sintomas. Nessa fase, os sinais periféricos não aparecem mais, visto que a vasodilatação não consegue compensar o quadro.

O sangue pode se acumular retrogradamente para o AE quando o VE entra em disfunção e posteriormente para o pulmão.

Sinais periféricos

Os sinais periféricos derivados da vasodilatação são:

Pulso em ‘’martelo d’água’’ ou Corrigan (figura 5)

Pressão arterial diferencial ampla

Figura 5 –
https://arquivos.qconcursos.com/prova/arquivo_prova/50823/instituto-aocp-2016-ebserh-medico-cirurgia-cardiovascular-ch-ufpa-prova.pdf

Sinais para aumento da pressão do pulso

Musset – ocorre quando a cabeça do paciente balança para frente a cada sístole

Muller – ocorre quando a úvula do paciente pulsa a cada sístole

Quincke – ocorre quando há pulsações capilares

Duroziez – ocorre quando a artéria femoral proximal é comprimida e consegue auscultar o volume sistólico exercendo pressão no vaso sanguíneo

Traube – conhecido também como ‘’tiros de pistola’’. Ocorre quando é possível auscultar na artéria femoral o turbilhonamento sanguíneo e a regurgitação de sangue para o VE

Quadro clínico

Alguns sinais e sintomas possíveis no quadro de insuficiência aórtica são:

Dispnéia

Cansaço

Palpitação

B3 – terceira bulha devido à sobrecarga de volume

Sopro de Austin Flint (figura 6) – sopro mesodiastólico (se inicia após a segunda bulha cardíaca) e telesistólico (se inicia imediatamente antes da primeira bulha cardíaca). É resultado da vibração do folheto anterior da válvula mitral e seu fechamento precoce devido ao aumento da pressão no VE na diástole. Pode ser confundido com o sopro da estenose mitral.

Sopro sistólico de hiperfluxo – quando o VE recebe muito volume e deve ejetá-lo na sístole, pode ocasionar turbilhonamento sanguíneo na via de saída e gerar um sopro sistólico no foco aórtico.

Figura 6 –
https://pt.slideshare.net/RicardoDelCistia/insuficincia-mitral-e-aortica

Exames

O eletrocardiograma pode indicar uma sobrecarga atrial esquerda (figura 7), sobrecarga ventricular esquerda (figura 8) e distúrbios da condução intraventricular.

Figura 7 –
https://pt.my-ekg.com/hipertrofia-dilatacao/sobrecarga-atrial-esquerda.html
Figura 8 –
https://cardiopapers.com.br/curso-basico-de-eletrocardiograma-parte-11-sobrecargas-ventriculares/

A radiografia pode indicar cardiomegalia dependendo do grau de crescimento concêntrico, alongamento da aorta e insuficiência cardíaca congestiva aguda com congestão pulmonar (figura 9).

Figura 9 –
http://www.medicinanet.com.br/conteudos/revisoes/3694/edema_agudo_de_pulmao.htm

O ecocardiograma indica o volume regurgitante (figura 10) e a área do orifício de refluxo.

Figura 10 –
https://cardiopapers.com.br/eco-como-graduar-a-insuficiencia-aortica-parte-1/

O cateterismo cardíaco é indicado somente quando é necessário acessar a anatomia das coronárias.

Observação: é necessário ter cuidado caso queira realizar um teste ergométrico pois aumenta o consumo de oxigênio e caso o paciente tenha fadiga de ejeção, pode gerar isquemia (figura 11) e entrar em falência no momento da realização do exame.

Figura 11 –
https://drleonardoalves.com.br/teste-ergometrico-sugestivo-de-isquemia-o-que-e/

Tratamento farmacológico

O tratamento farmacológico não deve ser iniciado caso o paciente apresente sinais periféricos na ausência de sintomas. Realizando a vasodilatação, o organismo ainda está conseguindo manusear bem o volume sanguíneo. Deve ser iniciado quando o paciente entra em disfunção ventricular com o objetivo de facilitar a chegada de sangue na periferia.

As classes medicamentosas mais utilizadas são vasodilatadores e bloqueadores de canal de Cálcio.

Tratamento cirúrgico

A cirurgia (figura 12) não é recomendada para os pacientes assintomáticos com a função ventricular normal e tolerância adequada ao exercício.

Tem como resultado e benefício o aumento da fração de ejeção ventricular e boa sobrevida.

Figura 12 –
https://www.cardiotoracica-gaia.com/o-que-eacute-a-doenccedila-valvular.html

Insuficiência aórtica aguda

É uma emergência médica.

Ocorre quando a válvula aórtica se rompe de forma aguda e o VE está pouco distensivo. Toda a pressão da aorta é transmitida para o VE e como o mesmo não possui a capacidade de se alargar rapidamente para confortar todo o volume recebido, transmite para o AE e até para os pulmões, podendo resultar em edema agudo de pulmão.

Algumas causas são dissecção aórtica, trauma e deiscência de sutura após procedimento de troca de válvula.

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