Obstrução intestinal

Figura 1 – https://www.tuasaude.com/obstrucao-intestinal/

A obstrução intestinal (figura 1) ocorre quando há parada de progressão do conteúdo intestinal. Seu conteúdo pode ser composto por fezes sólidas, secreções intestinais, gás e microbiota.

É classificada como total quando o obstáculo ocupa a luz e impede totalmente a passagem do conteúdo intestinal e parcial quando o obstáculo reduz a luz, porém alguma parte do conteúdo ainda consegue passar.

Em relação à sua localização, é classificada como alta quando está localizada acima da válvula ileocecal (tipo mais comum), acima do delgado e baixa quando localizada abaixo da válvula íleo cecal, no cólon, reto e ânus.

As obstruções são classificadas quanto à sua natureza, podendo ser mecânica ou funcional. A mecânica ocorre quando um obstáculo físico impede a progressão do conteúdo e a funcional quando há falta de movimento intestinal, como no íleo paralítico, vagotomia, uso de certos medicamentos e processos inflamatórios muito intensos.

A mecânica ainda pode ser classificada em intra luminal, quando há a presença de corpos estranhos (cálculos biliares, fecaloma, bolo de áscaris), extra luminal quando o obstáculo está localizado por fora da alça intestinal ou intra mural quando está localizado nas paredes intestinais.

Exemplos de obstruções intestinais alta: bridas e aderências (figura 2), neoplasias metastáticas, hérnias de parede (figura 3), intussuscepção (figura 4), doença de Crohn (figura 5).

Figura 2 – https://pt.wikipedia.org/wiki/Ader%C3%AAncia_(patologia)
Figura 3 – https://www.todamateria.com.br/hernia/
Figura 4 –
https://www.msdmanuals.com/pt-pt/profissional/pediatria/dist%C3%BArbios-gastrointestinais-em-neonatos-e-beb%C3%AAs/intussuscep%C3%A7%C3%A3o
Figura 5 –
https://noticias.r7.com/hora-7/segredos-do-mundo/doenca-de-crohn-o-que-e-quais-os-sintomas-e-os-tratamentos-14062019

Exemplos de obstruções intestinais baixa: tumor de cólon (figura 6), adenocarcinoma do intestino (figura 7), complicações da doença divertículo do cólon (diverticulite de repetição, estenoses), vôlvulo (figura 8).

Figura 6 –
https://www.msdmanuals.com/pt-pt/profissional/dist%C3%BArbios-gastrointestinais/tumores-do-trato-gi/c%C3%A2ncer-colorretal
Figura 7 – https://pt.wikipedia.org/wiki/Adenocarcinoma
Figura 8 –
https://lapufpel.wordpress.com/2012/05/28/aderencias-intussuscepcao-e-volvulo/
  • Diagnóstico

O diagnóstico é feito com base em informações do paciente, como idade, dor abdominal, padrão de dor visceral, tempo de evolução, cirurgias prévias, aumento da peristalse, medicações em uso (podem interferir com motilidade intestinal).

É importante determinar se é uma obstrução proximal ou distal, alta ou baixa, as possíveis etiologias e hipóteses diagnósticas.

  • Achados físicos comuns em um quadro de obstrução intestinal

Dor abdominal tipo cólica

Vômitos biliosos quando é uma obstrução mais alta e fecalóide quando é mais baixa

Distensão abdominal – presente ou não, proporcional ao local de obstrução

Ocorre hiperperistaltismo na fase inicial e hipoperistaltismo na fase tardia

Obstipação (parada de eliminação de flatos)

Desidratação, distúrbios hidroeletrolíticos, choque hipovolêmico

Taquicardia, hipotensão, choque séptico- proporcional ao grau de obstrução e translocação bacteriana

Pesquisar por hérnias de parede abdominal pois são a secunda maior causa de obstrução intestinal!!

  • Sinais de isquemia

Caso o paciente apresente algum sinal de isquemia, é preciso intervir e operar precocemente pois o quadro clínico é grave.

Dor contínua de forte intensidade, produção de ácido lático, taquicardia, taquipnéia, hipotensão e acidose.

  • Quadro clínico em relação à localização

Quanto mais alta a obstrução

Vômitos precoces – biliosos ou de alimentos não digeridos no delgado alto / fecalóides no delgado distal

Menos distensão abdominal, parada de eliminação de gases e fezes mais tardia

Quanto mais baixa a obstrução

Vômitos mais tardios

Mais distensão – parte proximal de alça é enorme

Parada de eliminação de gases e fezes mais precoce (segmento na direção do ânus é mais curto)

A relação entre a privação do sono e o apetite

Sabemos que durante o início do período de isolamento muitas pessoas estavam trocando o dia pela noite sem nem imaginar o quanto isso afeta o nosso organismo. Além disso, os problemas relacionados ao sono estão se tornando cada vez mais frequentes na população.

A pergunta que não quer calar: como está a qualidade do seu sono? O sono é importantíssimo para nossa saúde, é um período necessário para o funcionamento correto do organismo, sendo fundamental para a qualidade de vida. Enquanto você está dormindo é quando o seu corpo se recupera (levando em conta o sistema endócrino e imunológico, além da recuperação física e mental). Uma noite de sono mal dormida traz grandes prejuízos para nossa saúde.

A importância disso é devido a relação do sono e do ciclo circadiano (período em que o nosso organismo faz suas funções dentro de 24h), sendo esse ciclo responsável pela regulação e secreção dos hormônios, e conduzido principalmente pela luz. Então, alguns fatores podem afetar o ciclo circadiano, como a exposição a luz ou ao escuro, tempo dormindo/acordado ou a ingestão alimentar, que quando relacionado ao tempo de sono tem sido associado à uma série de desordens metabólicas.

Quando paramos para analisar a relação da privação do nosso com a percepção de fome, sabemos que existem alguns hormônios importantes para a regulação do apetite: grelina (hormônio da fome) e leptina (hormônio da saciedade), sem falar no cortisol (hormônio catabólico) que está envolvido nas respostas ao estresse, no GH e testosterona (hormônios anabólicos). Então, quando passamos por um período de privação do sono, esses hormônios sofrem uma desregulação onde há o aumento de grelina e diminuição da leptina, sendo responsáveis pelo aumento da fome e, além disso, ocorre um aumento dos níveis de cortisol no período da noite e diminuição do GH e testosterona, levando a uma possível perda de massa magra e aumento da massa gorda.

Essas alterações ainda podem levar a mudanças nas nossas escolhas alimentares, onde ocorre uma tendência maior a ingestão calórica e busca por alimentos mais palatáveis e calóricos devido a ativação das vias de prazer na hora de comer. Então, elas irão afetar tanto no emagrecimento quanto na hipertrofia, sem falar nos rendimentos dos treinos para os praticantes de atividade física.

Além disso, os estudos mostram que a quantidade de horas dormidas pode estar diretamente relacionada com a incidência da síndrome metabólica, doenças cardiovasculares e depressão.

E como a nutrição pode ajudar nessa qualidade do sono? Existem alguns nutrientes que são fundamentais quando pensamos em uma boa noite de sono, como vitamina B9, vitamina B6, zinco, magnésio e ômega-3. Acrescentar alimentos fonte de serotonina, triptofano e fitomelatonina também são essenciais porque eles fazem parte da produção da melatonina que é o hormônio responsável pela regulação do nosso sono, podendo melhorar a duração e a eficiência!

Dentre alguns alimentos, podemos citar: banana, amêndoas, abacate, kiwi, aveia, salmão, iogurte, batata doce, nozes

Então, vai algumas dicas para uma noite de sono com qualidade:

  • Jante mais cedo e evite grandes quantidades de comida no período da noite porque o corpo irá direcionar o sangue ao trato gastrointestinal.
  • Ter boas fontes de carboidrato e sem grandes quantidades de proteínas na última refeição. Esse combo irá permitir a entrada do triptofano pela barreira hematoencefálica, permitindo que ocorra a produção de serotonina (hormônio do bem-estar) e, em seguida, da melatonina (hormônio responsável pelo sono). E quais alimentos seriam esses? Aqueles que eu citei ali em cima.. ovos, banana, aveia, iogurte natural, amêndoas, abacate.
  • Consumir na ceia chás que possuem efeito calmante, como: mulungu, camomila, melissa, maracujá, valeriana, passiflora e erva-cidreira.
  • Evitar fazer atividades estressantes no período da noite porque o corpo fica mais agitado.
  • Evitar ingerir alimentos estimulantes (café, chá verde, chá mate, energéticos etc.) próximo ao horário de dormir.

Além disso, a higiene do sono é fundamental também. O que seria isso? Um conjunto de hábitos para dormir melhor. Então, ir desligando os eletrônicos e diminuindo a claridade antes de deitar-se é importantíssimo para respeitar o ciclo circadiano e tente sempre dormir em um ambiente calmo e escuro (a luz inibe uma das etapas de formação da melatonina).

A questão é: VOCÊ PRECISA DORMIR BEM! Quem dorme bem, vive bem.

Referências:

BELLASTELLA, G. et al. Endocrine rhythms and sport: it is time to take time into account. J Endocrinol Invest. 2019 Oct;42(10):1137-1147. doi: 10.1007/s40618-019-01038-1.

Frank M. Sacks, MD. et al. Effects of high vs low glycemix index of dietary carbohydrate on cardiovascular disease risk factors and insulin sensitivity. JAMA. 2014 Dec 17; 312(23): 2531–2541.

Rachel Leproult, PhD. Eve Van Cauter, PhD. Effect of 1 week of sleep restriction on testosterone levels in young healthy menFREE. JAMA. 2011 Jun 1; 305(21): 2173–2174.doi: 10.1001/jama.2011.710.

Roo Killick; Siobhan Banks; Peter Y. Liu. Implications of sleep restriction and recovery on metabolic outcomes. J Clin Endocrinol Metab. November 1, 2012; 97(11): 3876–3890.

Vlahoylannis, A. et al. Effects of high vs. low glycemic index of post-exercise meals on sleep and exercise performance: a randomized, double-blind, counterbalanced polysomnographic study. Nutrients. 2018 Nov; 10(11): 1795.

Estenose aórtica

Imagem 1 – https://seucardio.com.br/estenose-aortica/

A estenose aórtica (imagem 1) é uma valvulopatia caracterizada pela dificuldade de abertura da valva durante a sístole.

As principais causas são válvula bicúspide (imagem 2), doença reumática e calcificação (imagem 2), sendo a primeira mais comum em indivíduos com menos de 70 anos e a última em indivíduos com mais de 70 anos.

Imagem 2 – https://cardiopapers.com.br/eao_eco_dobutamina/

  • Fisiopatologia
Imagem 3 –
https://www.bostonscientific.com/pt-BR/pacientes/condicoes-clinicas/entenose-da-valvula-aortica.html

Normalmente, durante a sístole a válvula aórtica deve abrir-se para que o ventrículo ejete todo o seu volume para a aorta e consequentemente para a circulação sistêmica.

 Nessa valvulopatia, como a válvula possui dificuldade de abertura (imagem 3), o ventrículo esquerdo (VE) precisa exercer uma força maior para conseguir ejetar todo o sangue presente na sua câmara e como isso se torna comum, se hipertrofia. Nesse estágio o indivíduo apresenta-se assintomático.

Com o tempo, a hipertrofia exerce uma alta pressão, resultando em dificuldade de relaxamento e de enchimento pelo VE na diástole. Como o débito sistólico está diminuído, o sangue é direcionado para os órgãos vitais. Nesse estágio o indivíduo começa a apresentar sintomas, como cansaço, limitação aos esforços, angina e dispnéia.

Caso o indivíduo seja submetido à um teste ergométrico ou à algum exercício físico, os músculos do corpo necessitam de mais sangue, desviando o baixo volume que estava sendo direcionado para os órgãos vitais. Logo, há diminuição de sangue para o cérebro e síncope.

Devido a dificuldade de relaxamento e enchimento, durante a diástole o VE não consegue receber todo o sangue do átrio esquerdo (AE) e o mesmo se acumula. Então a próxima contração atrial deverá ser potente para o AE conseguir distender a parede do VE e ejetar todo o seu volume.

Com o tempo, o AE não consegue mais realizar essa contração potente  para distender o VE, então o sangue se acumula e se transmite retrogradamente para o pulmão. Nesse estágio o indivíduo apresenta dispnéia e congestão pulmonar.

As manifestações pré terminais são insuficiência cardíaca, fibrilação e disfunção atrial e hipertensão arterial pulmonar.

  • Apresentação clínica

Os pacientes podem apresentar sintomas dependendo do estágio da doença em que se encontram, como cansaço, limitação aos esforços, angina, dispnéia, síncope e congestão pulmonar.

Além disso, podem apresentar alguns sinais ao exame físico, como:

Ictus propulsivo e sustentado, normolocalizado

Presença da quarta bulha (B4) devido a sobrecarga de pressão

Pulso parvus et tardus (imagem 4) – parvus pois a amplitude de sangue na periferia é baixa e tardus pois o tempo de ejeção é maior para o VE conseguir ejetar todo o sangue

Imagem 4 –
http://varimed.ugr.es/index.php?op=viewconcepto&idconcepto=1380

Sopro em diamante (imagem 5) – VE precisa realizar grande pressão para abrir a valva aórtica e depois quando consegue abrir, a pressão diminui

Imagem 5 –
https://thevalveclub.com.br/o-exame-fisico-das-valvopatias/

Ruído de abertura da válvula aórtica – como a valva está espessada pela estenose, emite um ruído quando abre (aos a primeira bulha). Em casos de estenose severa, não encontra-se ruído pois a valva quase não consegue abrir.

  • Exames

A radiografia de tórax demonstra um índice cardiotorácico normal (o crescimento do coração é concêntrico) e em casos tardios pode-se observar dilatação (imagem 6). Além disso, é possível observar o alongamento da aorta pela idade avançada do indivíduo, hipertensão arterial e déficit de distensibilidade vascular.

Imagem 6 –
https://asdoencascardiacas.blogspot.com/2013/02/cardiomegalia-coracao-dilatado_15.html

No eletrocardiograma pode estar presente o índice de Sokolov (imagem 7), sinal de strain (imagem 8) e índice de Morris (imagem 9).

Imagem 7 –

https://slideplayer.com.br/slide/13884587/
Imagem 8 –
https://cardiopapers.com.br/sempre-escutou-historia-da-colher-de-pedreiro-causada-acao-digital-no-ecg-e-nunca-entendeu-direito-gente-te-explica/
Imagem 9 –
https://cardiopapers.com.br/ecg-voce-sabe-calcular-o-indice-de-morris-tem-certeza/

O ecocardiograma (imagem 10) mede os gradientes de pressão dentro das câmaras cardíacas.

Imagem 10 –
https://ecor.com.br/cursos-ecocardiografia/a-pratica-de-ecocardiografia/estenose-aortica/

  • Tratamento

A desobstrução com o balão (imagem 11) é um procedimento paliativo onde a válvula aórtica é quebrada. Pedaços da mesma podem entupir a coronária, portanto é contra indicada em pacientes com insuficiência cardíaca, já que os malefícios seriam maiores que os benefícios.

Imagem 11 –
https://www.eltonfernandes.com.br/tavi-para-tratar-estenose-aortica-grave-plano-de-saude-deve-custear-mesmo-fora-do-rol-da-ans

O procedimento de troca válvula aórtica transcateter (imagem 12) pode ser realizado em indivíduos jovens ou idosos. Normalmente em idosos coloca-se uma válvula biológica (imagem 13), em mulheres que desejam engravidar coloca-se a biológica pois a de metal pode provocar teratogênese e em homens jovens coloca-se a de metal (imagem 13). A cirurgia só deve ser indicada nos pacientes que apresentam sintomas.

Imagem 12 –
https://www.cardiotoracica-gaia.com/o-que-eacute-a-doenccedila-valvular.html
Imagem 13-
https://temasemcardiologia.com.br/protese-biologica-x-mecanica-como/

Referências bibliográficas:

Harrison. Principios de Medicina Interna, 20e. J. Larry Jameson, Anthony S. Fauci, Dennis L. Kasper, Stephen L. Hauser, Dan L. Longo, Joseph Loscalzo.

https://www.cardiotoracica-gaia.com/o-que-eacute-a-doenccedila-valvular.html

O que é Personalidade?

Quantas vezes você já ouviu alguém falar: “Esse cara não tem personalidade” ?

Ou aquela famosa frase: “Isso forma caráter” ?

Em geral as pessoas têm definições pouco precisas sobre o que é a personalidade. Como é um conceito complexo, a tendência é que haja muita confusão. Geralmente ela é associada simplesmente à moral e força de vontade.

A discussão sobre a personalidade vem sendo tratada já há algum tempo pela filosofia, medicina, psicologia, biologia e muitas outras áreas.

Pois bem, como podemos definir a Personalidade?

A palavra origina-se do grego “persona”, uma máscara usada por atores em peças teatrais, que interpretavam diversos personagens.

Ela é definida como conjunto de características que explica o modo próprio como o indivíduo responde a estímulos do ambiente, incluindo suas emoções e escolhas individuais. (BUSATTO,2006).

Basicamente a personalidade diz respeito a tudo aquilo que nos torna singulares do ponto de vista mental. Ela é nossa impressão digital no mundo, aquilo que nos confere individualidade. É a maneira única de articular nossos afetos, interpretações e ações.

Quais são as características da personalidade?

Vários autores como Freud e Jung escreveram sobre os componentes da personalidade ao longo dos últimos séculos. Todos os modelos teóricos englobam dois aspectos importantes: qualidade das expressões afetivas e reatividade dos individuos aos estímulos.

As características da personalidade podem ser divididas entre inatas e desenvolvidas (Cloninger,1998).

As características inatas dizem respeito ao nosso temperamento e estão mais relacionadas a fatores genéticos. Mas elas podem ser modulaveis e a manifestação das mesmas vai depender de como o indivíduo lida com o próprio temperamento ao longo de sua vida.

O temperamento é dividido em quatro dimensões: Procura de novidade, fuga de injúria, dependência em reforço e persistência (PASQUALI,2000). Também há a famosa abordagem de correlação simbólica com a divisão dos temperamentos entre fleumaticos, melancólicos, coléricos e sanguíneos. O tópico dos temperamentos merece ser abordado de forma mais específica. Mas por agora é importante deixar claro que, por mais que eles reflitam uma tendência, não devem ser encarados como limitadores, mas sim como ferramenta de autoconhecimento.

As características desenvolvidas estão relacionadas ao caráter, que é o conjunto de comportamentos, vivências, experiências e hábitos que o indivíduo adquire durante sua vida. Aqui entram a convivência familiar, os relacionamentos, educação, cultura, etc. Como não há um único ser humano que tenha exatamente as mesmas experiências de outrem, conseguimos perceber que não há como existir uma personalidade igual a outra.

Nossa cognição, afetividade e relações estão ligadas à forma de nossa personalidade e ditam como vamos reagir aos problemas, como agimos e como desenvolvemos nossos interesses neste mundo.

E por mais que você já tenha certa idade (clube dos 30, estou quase lá) e haja características presentes em sua personalidade que você talvez não goste, saiba de uma coisa: a personalidade é modificável. Mesmo que ela atinja uma certa estabilidade na vida adulta, sempre é possivel se desenvolver, de forma até mesmo inesperada. E assim abrir espaço para a mudança e o aprimoramento diante de situações adversas.

Quer saber como é possivel desenvolver nossa personalidade?

Então não perca o próximo artigo!

Gostou do texto? Curta e compartilhe com seus amigos. Até a próxima!

* Referencias bibliográficas:

Cloninger, C. R. (1998). The genetics and psychobiology of the seven-factor model of personality. In K. R. Silk (Ed.), Review of psychiatry series. Biology of personality disorders (p. 63–92). American Psychiatric Association.

SADOCK, Benjamin J., et al.. Compêndio De Psiquiatria: ciência do comportamento e psiquiatria clínica. Ciência do Comportamento e Psiquiatria Clínica. Artmed, 2016.

POWELL, Arthur E.. O Corpo Mental.  Pensamento, 1996.

Regurgitação aórtica

Figura 1 –
https://cirugiacardiovascular.com.mx/enfermedades-cardiovasculares/insuficiencia-aortica/

A regurgitação ou insuficiência aórtica (figura 1) é classificada como uma valvopatia regurgitante, assim como a regurgitação mitral. Ela ocorre quando a válvula aórtica possui dificuldade de fechamento na diástole.

As causas crônicas mais comuns são válvula bicúspide (figura 2) e doença reumática (figura 3) e a causa aguda mais comum é o trauma. Outros aspectos que também podem contribuir são hipertensão arterial sistêmica, doenças mixomatosas, dissecção da aorta e doenças do colágeno.

Figura 2 –
 https://www.tuasaude.com/valvula-aortica-bicuspide/
Figura 3 –
https://www.hidoctor.com.br/cid10/p/capitulo/9/grupo/I05-I09/categoria/I06/subcategorias

Fisiopatologia

Figura 4 – https://pt.wikipedia.org/wiki/Insufici%C3%AAncia_a%C3%B3rtica

Na diástole, o ventrículo esquerdo (VE) recebe sangue do átrio esquerdo (AE) e como a válvula aórtica não consegue fechar devidamente, recebe volume também o volume regurgitado da aorta. Assim, ele recebe mais volume do que deveria e se distende (figura 4).

Na próxima sístole, realiza uma contração mais forte para conseguir mandar todo o volume recebido para a circulação sistêmica. Por isso, o pulso do paciente possui amplitude aumentada.

Como parte do volume ejetado para a aorta volta para o VE, o sangue passa rápido pela periferia. Para a mesma conseguir extrair sangue e nutrientes necessários, realiza vasodilatação como mecanismo compensatório e aparecem os sinais periféricos.

O paciente não desenvolve nenhum sintoma desde que o VE consiga ejetar todo o volume para a circulação e a periferia realize vasodilatação. Caso essa não ocorra, a periferia não consegue receber sangue e nutrientes necessários e os sintomas aparecem.

Na medida em que as regurgitações aumentam, a pressão dentro do VE aumenta e tende a empurrar e fechar precocemente a válvula mitral, mesmo na diástole, dificultando o deslocamento do sangue do AE para o VE.

Progressivamente ocorre disfunção, insuficiência e esgarçamento ventricular esquerdo, dificultando a ejeção de todo o volume para a circulação e consequentemente o aparecimento dos sintomas. Nessa fase, os sinais periféricos não aparecem mais, visto que a vasodilatação não consegue compensar o quadro.

O sangue pode se acumular retrogradamente para o AE quando o VE entra em disfunção e posteriormente para o pulmão.

Sinais periféricos

Os sinais periféricos derivados da vasodilatação são:

Pulso em ‘’martelo d’água’’ ou Corrigan (figura 5)

Pressão arterial diferencial ampla

Figura 5 –
https://arquivos.qconcursos.com/prova/arquivo_prova/50823/instituto-aocp-2016-ebserh-medico-cirurgia-cardiovascular-ch-ufpa-prova.pdf

Sinais para aumento da pressão do pulso

Musset – ocorre quando a cabeça do paciente balança para frente a cada sístole

Muller – ocorre quando a úvula do paciente pulsa a cada sístole

Quincke – ocorre quando há pulsações capilares

Duroziez – ocorre quando a artéria femoral proximal é comprimida e consegue auscultar o volume sistólico exercendo pressão no vaso sanguíneo

Traube – conhecido também como ‘’tiros de pistola’’. Ocorre quando é possível auscultar na artéria femoral o turbilhonamento sanguíneo e a regurgitação de sangue para o VE

Quadro clínico

Alguns sinais e sintomas possíveis no quadro de insuficiência aórtica são:

Dispnéia

Cansaço

Palpitação

B3 – terceira bulha devido à sobrecarga de volume

Sopro de Austin Flint (figura 6) – sopro mesodiastólico (se inicia após a segunda bulha cardíaca) e telesistólico (se inicia imediatamente antes da primeira bulha cardíaca). É resultado da vibração do folheto anterior da válvula mitral e seu fechamento precoce devido ao aumento da pressão no VE na diástole. Pode ser confundido com o sopro da estenose mitral.

Sopro sistólico de hiperfluxo – quando o VE recebe muito volume e deve ejetá-lo na sístole, pode ocasionar turbilhonamento sanguíneo na via de saída e gerar um sopro sistólico no foco aórtico.

Figura 6 –
https://pt.slideshare.net/RicardoDelCistia/insuficincia-mitral-e-aortica

Exames

O eletrocardiograma pode indicar uma sobrecarga atrial esquerda (figura 7), sobrecarga ventricular esquerda (figura 8) e distúrbios da condução intraventricular.

Figura 7 –
https://pt.my-ekg.com/hipertrofia-dilatacao/sobrecarga-atrial-esquerda.html
Figura 8 –
https://cardiopapers.com.br/curso-basico-de-eletrocardiograma-parte-11-sobrecargas-ventriculares/

A radiografia pode indicar cardiomegalia dependendo do grau de crescimento concêntrico, alongamento da aorta e insuficiência cardíaca congestiva aguda com congestão pulmonar (figura 9).

Figura 9 –
http://www.medicinanet.com.br/conteudos/revisoes/3694/edema_agudo_de_pulmao.htm

O ecocardiograma indica o volume regurgitante (figura 10) e a área do orifício de refluxo.

Figura 10 –
https://cardiopapers.com.br/eco-como-graduar-a-insuficiencia-aortica-parte-1/

O cateterismo cardíaco é indicado somente quando é necessário acessar a anatomia das coronárias.

Observação: é necessário ter cuidado caso queira realizar um teste ergométrico pois aumenta o consumo de oxigênio e caso o paciente tenha fadiga de ejeção, pode gerar isquemia (figura 11) e entrar em falência no momento da realização do exame.

Figura 11 –
https://drleonardoalves.com.br/teste-ergometrico-sugestivo-de-isquemia-o-que-e/

Tratamento farmacológico

O tratamento farmacológico não deve ser iniciado caso o paciente apresente sinais periféricos na ausência de sintomas. Realizando a vasodilatação, o organismo ainda está conseguindo manusear bem o volume sanguíneo. Deve ser iniciado quando o paciente entra em disfunção ventricular com o objetivo de facilitar a chegada de sangue na periferia.

As classes medicamentosas mais utilizadas são vasodilatadores e bloqueadores de canal de Cálcio.

Tratamento cirúrgico

A cirurgia (figura 12) não é recomendada para os pacientes assintomáticos com a função ventricular normal e tolerância adequada ao exercício.

Tem como resultado e benefício o aumento da fração de ejeção ventricular e boa sobrevida.

Figura 12 –
https://www.cardiotoracica-gaia.com/o-que-eacute-a-doenccedila-valvular.html

Insuficiência aórtica aguda

É uma emergência médica.

Ocorre quando a válvula aórtica se rompe de forma aguda e o VE está pouco distensivo. Toda a pressão da aorta é transmitida para o VE e como o mesmo não possui a capacidade de se alargar rapidamente para confortar todo o volume recebido, transmite para o AE e até para os pulmões, podendo resultar em edema agudo de pulmão.

Algumas causas são dissecção aórtica, trauma e deiscência de sutura após procedimento de troca de válvula.

Segurança da bicicleta parte 2

Evite estradas e calçadas principais.
Sempre use sinais manuais corretos antes de virar. Ande em fila única com o tráfego, não contra ele. Quando estiver em trilhas de bicicleta e caminhada anuncie a sua presença conforme você chega por trás e passa por pedestres e outros passageiros.

Motivos de acidentes de bicicleta:

A maioria dos acidentes de bicicleta ocorre quando um ciclista cai ou bate em algo que está parado. As falhas são mais prováveis ​​de ocorrer em conjunto com condições adversas relacionadas a:

Clima
Condições de estrada
Falha mecânica
Má condução da bicicleta
Velocidade excessiva
Falta de atenção
Problemas de coordenação

Embora as regras da estrada e do direito de passagem sejam as mesmas para ciclistas e motoristas, outros fatores contribuem para a desarmonia que pode ocorrer entre ciclistas e motoristas. Muitos motoristas de veículos motorizados simplesmente não estão cientes da presença de um ciclista na estrada. Em condições de baixa visibilidade ou à noite, os ciclistas são difíceis de ver. O uso de refletores e farol de bicicleta dá maior visibilidade aos motoristas.

Problemas com álcool podem contribuir para acidentes, e o uso inadequado de álcool não se limita aos motoristas.

Diversos acidentes de trânsito que resultaram em mortes de ciclistas envolveram intoxicação por álcool pelo motorista ou ciclista.
Muitas fatalidades relacionadas com bicicletas, foi o ciclista que ficou intoxicado, não o motorista.
Outros acidentes de bicicleta ocorrem quando um ciclista está dirigindo contra o tráfego em sentido contrário.

Muitas pessoas acreditam que andar de bicicleta nas calçadas é mais seguro do que nas estradas, no entanto, o risco de lesões aumenta significativamente. Isso acontece devido à presença de pedestres e objetos fixos (postes, por exemplo) que revestem as calçadas, bem como à preferência de ciclistas inexperientes em usar as calçadas para andar de bicicleta.

Além disso, crianças que geralmente não são pilotos experientes tendem a bater ao andar de bicicleta pela primeira vez ou ao andar de bicicleta com a qual não estão familiarizados.

Características das vítimas de acidentes

Ciclistas mais jovens que não estão familiarizados com as regras de trânsito têm muito mais probabilidade de causar e se envolver em um acidente grave.

Prevenção de Lesões

Muitas lesões podem ser evitadas com a seleção adequada do equipamento, ajuste da bicicleta de acordo com o ciclista e manutenção adequada.

Quadros de tamanhos adequados, guidão e alturas de assento, bem como a compreensão de como o sistema de marchas funciona, ajudam a reduzir lesões.

Embolia pulmonar

Figura 1 –
https://alunosonline.uol.com.br/biologia/embolia-pulmonar.html

A embolia pulmonar (figura 1) é uma complicação da trombose venosa profunda, que normalmente acomete as veias mais profundas e proximais dos membros inferiores.

Na trombose venosa profunda há um trombo sanguíneo alojado em determinada veia. Esse trombo pode ser formado através da lesão endotelial por comorbidades, como hipertensão arterial sistêmica e dislipdemias, por estase venosa e por estados de hipercoagulabilidade cuja predisposição genética é a principal responsável.

O trombo formado pode se deslocar e se alojar na artéria pulmonar, resultando em diferentes desfechos  dependendo do seu tamanho e das condições cardiopulmonares e circulatórias do paciente.

  • Fisiopatologia da doença
Figura 2 –
http://www.dranayarabatagini.com.br/tratamentos/trombose-venosa-profunda/embolia-pulmonar/

O deslocamento do trombo venoso das veias profundas proximais dos membros inferiores causa uma obstrução da artéria pulmonar. Esse processo resulta na não perfusão de certa região pulmonar, que continua sendo ventilada, criando assim um espaço morto ventilatório. Consequentemente o sangue é mal oxigenado e as trocas gasosas são reduzidas (figura 2).

A árvore pulmonar reage através da broncoconstricção e aumento da resistência das vias aéreas, tornando o pulmão hipocomplacente .

O quadro do paciente pode evoluir para edema pulmonar, extravasamento de sangue para o espaço alveolar, quadro agudo de broncoespasmo (asma ou bronquite), eventos hemorrágicos e até mesmo perda do surfactante, piorando a rigidez do pulmão e sua ventilação.

Esse processo aumenta a pressão intrapulmonar e a estrutura do ventrículo direito, tornando-o mais dilatado. Essa dilatação possibilita-o de receber uma maior quantidade de sangue na diástole, aumentando a pós e pré carga, resultando em disfunção ventricular direita e conseqüente diminuição do seu débito sistólico.

Através da tentativa do ventrículo direito de vencer a alta resistência da artéria pulmonar, o septo interventricular é desviado para o lado do ventrículo esquerdo. Esse desvio gera diminuição da pré carga do ventrículo esquerdo, diminui a perfusão sistêmica, gera hipotensão arterial, redução na perfusão coronariana.

A redução da perfusão atinge principalmente a parte do músculo cardíaco com maior diâmetro, volume e consumo de oxigênio, no caso o ventrículo direito. Logo, o quadro do paciente finaliza com infarto desse ventrículo.

  • Fatores de risco

Fratura de membro inferior, cirurgias ortopédicas extensas, trombose venosa de membros inferiores ou tromboembolia venosa nos últimos 3 meses, contraceptivo oral, trombofilia, gestação, imobilização por mais de 3 dias ou ficar sentado por tempo prolongado, diabetes mellitus, hipertensão arterial sistêmica, obesidade, idade avançada.

  • Sinais e sintomas

O paciente com embolia pulmonar normalmente apresenta o caso clínico com dispnéia aguda, taquipnéia, taquicardia, dor torácica, tosse, síncope e hemoptise, respectivamente do mais comum para o menos comum.

Outros achados que podem ser encontrados no exame físico são febre baixa, disfunção do ventrículo esquerdo, turgência jugular (figuras 3 e 4), hiperfonese de P2 e sopro sistólico do tipo regurgitativo que se intensifica na inspiração.

Figura 3 –
http://reginaldofranklin.com.br/turgencia-jugular/
Figura 4 –
http://www2.ebserh.gov.br/documents/147715/395574/SEMIOLOGIA_CARDIOVASCULAR_PARA_ENFERMAGEM_-_Jose_GuilhermeSEENF_19012015.pdf
  • Escore de Wells

O escore de Wells (figura 5) calcula e estima a probabilidade do paciente estar apresentando um quadro de embolia pulmonar.

Figura 5 –
http://www.rb.org.br/detalhe_artigo.asp?id=3038&idioma=Portugues

  • Exames

O eletrocardiograma auxilia pouco no diagnóstico de embolia pulmonar, visto que pode não apresentar-se alterado. A alteração mais comumente identificada é a taquicardia sinusal (figura 6).

Figura 6 –
https://pt.my-ekg.com/arritmias-cardiacas/taquicardia-sinusal-inapropriada.html

A radiografia simples do tórax costuma ser de aspecto normal. Caso o paciente apresente dispnéia não explicada, a suspeita por embolia deve permanecer. Caso o paciente apresente hipoxemia aguda, deve ser interpretado como um quadro de embolia. Além disso, existem alguns sinais clássicos na radiografia, porém são raros: sinal de Westermark (parte do pulmão mais penetrada, mais escura, sinal de que não está recebendo sangue; figura 7) e corcova de Hampton (imagem triangular com a base voltara para a periferia, evidenciando infarto pulmonar; figura 8).

Figura 7 –
https://maestrovirtuale.com/sinal-westermark-causas-sinais-falsos-positivos/
Figura 8 –
https://blog.jaleko.com.br/achados-radiograficos-do-tep-voce-sabe-reconhecer/

O ecocardiograma pode ser útil na visualização de trombos sanguíneos (figura 9) e avalia o ventrículo direito.

Figura 9 –
https://cardiopapers.com.br/imagens-em-cardiologia-trombo-em-ventriculo-esquerdo/

A angiotomografia é o exame padrão ouro para embolia pois consegue visualizar até pequenos trombos e vasos (figura 10). Também consegue avaliar a presença de pneumonias, massas e alterações na aorta.

Figura 10 –
https://www.scielo.br/pdf/jbpneu/v30n5/v30n5a12.pdf

A cintilografia VQ visualiza o espaço morto formado na área sem perfusão e com ventilação (figura 11).

Figura 11 –
https://pt.slideshare.net/yseborges/troboembolia-pulmonar-presentation

O D dímero mostra valores elevados na maioria dos casos de embolia pulmonar, possuindo então alto valor preditivo negativo. Outras causas também podem alterá-lo, como o infarto agudo do miocárdio, pneumonia, insuficiência cardíaca, câncer e sepse.

  • Estratificação de risco da embolia pulmonar

A estratificação de risco analisa a presença ou ausência de aspectos que podem levar o indivíduo a desenvolevr um quadro de embolia pulmonar (figura 12).

Figura 12 –
https://www.revportcardiol.org/pt-nt-probnp-na-estratificacao-risco-no-articulo-S0870255111000345

  • Tratamento

Os objetivos do tratamento são interromper o processo de coagulação e o crescimento do trombo, prevenir a recorrência, acelerar a lise do trombo, controlar e corrigir distúrbios hemodinâmicos e prevenir a morbidade a longo prazo.

Tratamento primário: trombólise (figura 13), embolectomia cirúrgica e uso de fibrinolíticos.

Tratamento secundário e prevenção: realizar a anticoagulação.

Uso de inotrópicos, vasopressores e suporte ventilatório para controlar e corrigir os distúrbios hemodinâmicos.

Figura 13 –
http://www.sobrice.org.br/paciente/procedimentos/trombolise

Introdução à segurança da bicicleta

O ciclismo é, não somente um meio de transporte comum, mas também uma fonte cada vez mais popular de recreação, exercícios e esportes. Com a criação de diversas ciclovias ultimamente, a popularidade do esporte atingiu o ponto mais alto.

Junto com o aumento do uso de bicicletas, vem o risco de lesões. As consequências variam de escoriações comuns, cortes, hematomas, ossos quebrados, lesões internas, traumatismo craniano e até morte.

No período 2000 – 2010, foram identificados 32.422 óbitos de ciclistas traumatizados em acidentes de transporte no Brasil. A maioria das mortes por bicicletas é causada por ferimentos na cabeça. A causa mais comum de acidentes com bicicletas são quedas ou colisões com objetos imóveis.

Princípios de segurança de bicicletas

A melhor preparação para andar de bicicleta com segurança é o treinamento adequado. Os recursos comuns para treinamento incluem um aulas com piloto experiente ou programas comunitários de estímulo ao “pedal”. Frequentemente, entretanto, o treinamento inicial envolve instruções simples dos pais sobre equilíbrio e pedalada.

O investimento inicial em equipamentos de segurança, como roupas de proteção e um capacete, pode prevenir um número significativo de lesões. Outros equipamentos de segurança devem incluir:

1- Roupas reflexivas para condições noturnas ou de baixa visibilidade
2- Equipamento de segurança para bicicletas (refletores no quadro e rodas)
3- Seleção adequada de bicicletas
4- Manutenção adequada da bicicleta

Considere também a idéias a seguir para ajudar a reduzir ainda mais o risco de um acidente de bicicleta:

  • A bicicleta deve ser usada de maneira apropriada com relação a experiência do ciclista.
  • Os ciclistas menos experientes devem aprender as regras da estrada.
  • Tanto os ciclistas quanto os motoristas precisam entender como compartilhar a estrada com segurança e cortesia.
  • Tanto o motorista quanto o ciclista precisam observar os limites de velocidade adequados, ceder passagem e não dirigir enquanto/ após beber.
  • Os ciclistas precisam estar cientes de seus arredores. Fique atento com grades de esgoto, detritos nas estradas, superfícies irregulares e áreas mal iluminadas.
    Obedecer às regras de trânsito pode ajudar a garantir uma viagem segura

Os impactos do consumo de álcool no organismo

O álcool presente nas bebidas alcoólicas é o ETANOL que constitui um grande grupo de compostos orgânicos e um grupo hidroxílico. Ele é uma molécula solúvel, explicando o porquê a cinética de digestão e absorção no corpo pode ser simples visto que é facilmente distribuída para todos os tecidos.

Quando consumimos bebida alcoólica, o álcool já está dissolvido. Então, ele é facilmente absorvido, começando esse processo na boca. Após, ele chega ao estômago onde uma porção considerável de 10 a 20% é absorvida e o restante é absorvido pelo intestino (sendo esse o principal órgão).

Sabemos que o álcool não é nutriente necessário, esse é dispensável do ponto de vista metabólico, sendo considerado como uma molécula tóxica para o organismo. Então, a resposta do corpo sempre será detoxificar, pois é uma molécula estranha (um xenobiótico). Com isso, entra o papel do fígado de metabolizar e amenizar esse impacto, sendo que no processo de metabolização a primeira molécula formada é o acetoaldeido (que é mais tóxico do que o álcool), depois ele é transformado em acetato que ligado a coenzima A forma o Acetil-CoA. Esse Acetil-CoA está ligado com a síntese de ácido graxo, ou seja, produzindo mais Acetil-CoA ocorrerá maior acúmulo de gordura corporal.

OBS: Se o fígado estiver comprometido a metabolização pode ser comprometida ou o álcool pode comprometer o estado do órgão.

Todos esses processos enzimáticos são dependentes do NAD+ e quanto mais etanol você possuir no corpo, mais transformação em acetoacetato irá ocorrer e a capacidade de NAD+ diminui. Então, quanto maior o consumo de etanol maior o consumo de NAD+. Contudo, esse NAD+ utilizado é essencial para o processo de glicólise e caso não esteja disponível não há quebra de glicose.

OBS: Hepatopatas não podem fazer uso de álcool de forma nenhuma, assim como indivíduos que fazem o uso de medicamentos hepatotóxicos.

Aposto que você já ouviu falar que não é para beber de estômago vazio. Mas por que não é interessante? Porque a taxa de esvaziamento gástrico é quem define a velocidade com que o álcool chegará na corrente sanguínea. Se o esvaziamento gástrico ocorre de forma mais rápida, o álcool passará do estômago para o intestino mais rapidamente e, consequentemente, atingirá a circulação sanguínea mais rápido e os efeitos de embriaguez chegarão rapidamente. Então, existe a relação do esvaziamento gástrico com a disponibilidade do etanol na corrente sanguínea e uma forma de atrasar a chegada do álcool no intestino é RETARDAR O ESVAZIAMENTO GÁSTRICO.

Cada grama de álcool fornece 7Kcal. Então, percebemos que ele possui um alto valor calórico, mas essa caloria é considerada “vazia” pois não tem nutrientes. No entanto, os problemas associados ao consumo excessivo de bebidas alcoólicas vão além das calorias.

  • A molécula em si é irritante para a superfície estomacal e intestinal, podendo causar erosões superficiais, hemorragias, paralisia do músculo estomacal (quem tem alguma inflamação na mucosa do trato gastrointestinal deve evitar o álcool);
  • Pode levar ao aumento de hormônios orexígenos (após o consumo de bebidas alcoólicas, a pessoa pensa apenas em produtos altamente palatáveis.. quem nunca bebeu e comeu um fast food depois?).
  • Aumenta a adrenalina e, consequentemente, a taquicardia e o risco de doenças cardiovasculares.
  • Aumenta a produção de cortisol (hormônio catabólico que degrada massa muscular e acumula gordura na região abdominal) e a secreção de dopamina (gerando ciclo vicioso).
  • Diminui a secreção de GH noturno e a síntese proteica noturna.
  • Aumenta a produção de insulina pelo pâncreas, agravando o risco de hipoglicemia.
  • Diminui a produção de testosterona (hormônio anabólico), diminuindo a síntese proteica.
  • Diminui a serotonina que está associada a depressão.
  • Aumenta a permeabilidade intestinal (faz com que mais compostos passem por ela, podendo causar diarreia e desconfortos).

Deu para perceber que o impacto do álcool acontece no organismo como um todo e quanto maior é o índice de bebida alcoólica, maior serão as repercussões hormonais.

Para quem busca o emagrecimento, esses fatores são determinantes porque além do impacto no acúmulo de gordura corporal, o consumo de álcool diminui a massa magra devido a inibição da síntese proteica e sem falar no seu alto valor calórico. Já no caso da hipertrofia podemos ter o mesmo raciocínio uma vez que diminui a síntese proteica, diminui a testosterona e gera aumento do cortisol, além de levar a desidratação. Então, é negativo tanto para quem deseja ganhar massa muscular e para quem deseja emagrecer visto que o tecido muscular é o mais metabolicamente ativo.

Em relação ao rendimento esportivo, os estudos mostram que o consumo de álcool possui um efeito negativo pois diminui a performance, afeta a recuperação muscular e a desidratação é aumentada.

Além disso, o consumo de álcool tem uma relação com o tecido cerebral, levando a uma redução da cognição, perda de memória, cansaço e depressão. Outra coisa é que a ingestão de álcool diminui a secreção de melatonina, estando associada com a perda e qualidade do sono.

Aqui vem mais um ponto importante.. afinal, quem nunca bebeu para “relaxar” (alô, vinho)? O álcool realmente atua nos receptores de GABA, o principal neurotransmissor inibitório no cérebro e o resultado é a sensação de bem estar. Porém, o exagero pode levar ao efeito oposto, aumentando a ansiedade e gerando os prejuízos ao sono devido a redução da secreção de melatonina e serotonina.

Existe limite seguro para o consumo de álcool? Não, porém, o prejuízo dependerá de individuo para indivíduo. O consumo de bebida mesmo que moderado promove o aumento da pressão arterial e está associado ao aumento do risco de acidentes vasculares. Estudos mostram que 2 copos de cerveja por dia aumentam de 10 a 15% o risco de doenças cardiovasculares e quando a quantidade dobra esse risco vai para 35%.

Então, o segredo é o BOM SENSO e a MODERAÇÃO. Está tudo bem beber, afinal faz parte do contexto social de todo mundo, mas o equilíbrio é muito importante (sem terrorismo, galera!). Quando for confraternizar tenha cautela, NUNCA esqueça da água para ir intercalando (afinal, ninguém quer ficar com aquela ressaca no dia seguinte) e nada de beber de estômago vazio.

Referências:

BARNES, MATTHEW J. Alcohol: Impact on Sports Performance and Recovery
in Male Athletes
. Sports Med (2014) 44:909–919.

BADRCIK, E. et al. The Relationship between Alcohol Consumption and Cortisol Secretion in an Aging Cohort. J Clin Endocrinol Metab. 2008 Mar; 93(3): 750–757.

DUPLANTY, A. A. et al. Effect of acute alcohol ingestion on resistance exercise-induced mTORC1 signaling in human muscle. The Journal of Stregth and Conditioning Research. V. 31, n. 1, January 2017.

FEIGE, B. et al. Effects of alcohol on polysomnographically recorded sleep in healthy subjects. Alcohol Clin Exp Res. 2006 Sep;30(9):1527-37.

MINZER, S.; LOSNO, R. A.; CASAS, R. The effect of alcohol on cardiovascular risk factors: is there new information? Nutrients 2020, 12, 912; doi:10.3390/nu12040912.

PARR, E. B. et al. Alcohol ingestion impairs maximal post-exercise rates of myofibrilar protein synthesis folowing a single bout of concurrent training. Plos One. February 2014, v. 9, i. 2, e88384.

Sernizon Guimarães, N. Silva de Aguiar Nemer, A. Arlene Fausto, M. Influência do consumo de álcool nas alterações antropométricas: uma revisão sistemática. Nutr. clín. diet. hosp. 2013; 33(3):68-76.

VIERA, JOANA MARGARIDA FERNANDES. Metabolismo do Etanol. Universidade Fernando Pessoa – Faculdade Ciência da Saúde. Porto, 2012.

YEOMANS, M. R. Alcohol, appetite and energy balance: is alcohol intake a risk factor for obesity? Physiol Behav. 2010 Apr 26;100(1):82-9. doi: 10.1016/j.physbeh.2010.01.012.

Agosto Dourado – Mês de incentivo ao Aleitamento Materno

O mês de agosto é dedicado ao incentivo ao aleitamento materno, sendo conhecido como Agosto Dourado, e entre os dias 1 a 7 denominamos como a “Semana Mundial do Aleitamento Materno” (SMAM). Nesse ano de 2020, a Aliança Mundial para Ação do Aleitamento Materno (WABA) teve como slogan “Apoie a amamentação para um planeta mais saudável”, centralizando no impacto da alimentação infantil no meio ambiente, nas mudanças climáticas e na necessidade urgente de proteger, promover e apoiar o aleitamento materno para a saúde do planeta e de seu povo.

O leite materno (LM) é o primeiro contato do bebê com uma comida de verdade, sendo a forma mais saudável de iniciar a alimentação infantil. Mas por quê? O LM é único, é considerado como o alimento ideal para a criança porque é totalmente adaptado às suas necessidades nos primeiros anos de vida. Ele possui quantidades adequadas de nutrientes e compostos bioativos (imunoglobulinas, citocinas, quimiocinas, fatores de crescimento, hormônios e lactoferrina) essenciais para o desenvolvimento adequado das crianças. Além disso, o leite sofre modificações em relação a composição, se ajustando às necessidades nutricionais do bebê. Então, não existe leite fraco!

A recomendação atual é que a criança seja amamentada na primeira hora de vida e até 2 anos ou mais sempre que quiser mamar. Nos primeiros 6 meses, a recomendação é que a amamentação ocorra de forma exclusiva, pois a oferta de alimentos antes desse tempo pode prejudicar a absorção de alguns nutrientes importantes contidos no leite materno, como ferro e zinco, além de aumentar o risco de a criança ficar doente. Os primeiros 2 anos de vida são os mais decisivos para o crescimento e desenvolvimento da criança, e a amamentação nesse período pode prevenir o aparecimento de diversas doenças na vida adulta.

Além disso, esse período do aleitamento materno é muito importante para o desenvolvimento de laços afetivos pois durante o momento a criança recebe diversos estímulos. Amamentar é muito mais que alimentar uma criança!

Por que amamentar é tão importante? Porque faz bem à saúde da criança, faz bem à saúde da mulher, promove o vínculo afetivo, é econômico, faz bem à sociedade, faz bem ao planeta, não tem custos. A amamentação é um exemplo de conexão entre a saúde humana e o ecossistema.

As taxas de amamentação são muito baixas no Brasil e esses números estão associados com à falta de informação e preparo. É muito importante a participação de familiares e pessoas próximas durante o período, porém, o desejo e a escolha da mulher devem ser considerados e respeitados. Além disso, é de relevância destacar que é um momento desafiador e, por vezes, difícil. Então, uma rede de apoio nesse período é fundamental!

Devemos apoiar, promover e incentivar o aleitamento materno!

“A temperatura agradável,

A quantidade suficiente,

A sucção auto regulável

De um sistema estomatognático inteligente

Que suga, deglute e respira

Em harmonia

Surpreendente,

Isso também vicia,

Gente…

O leite materno é uma formula encantada

Desafiando todas as ciências 

E quer saber o que há nele que vicia?

É o amor, que nunca se esvazia…

É o amor e suas reticencias…”

Substâncias viciantes e leite materno – Luís Alberto Mussa Tavares 

Link do folder da SMAM 2020: https://worldbreastfeedingweek.org/2020/wp-content/uploads/2020/06/action-folder-2020_Brazillian-Portuguese-1.pdf

Link do poster da SMAM 2020: https://worldbreastfeedingweek.org/2020/wp-content/uploads/2020/06/poster_Brazilian-Portuguese.pdf

Referências:

BRASIL. Ministério da Saúde . Guia alimentar para crianças brasileiras menores de 2 anos. Brasília: Ministério da Saúde, 2019. Acesso em 03 de agosto de 2020. Disponível em: http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/publicacoes/guia_da_crianca_2019.pdf

CARVALHO, M. R. de. #SMAM2020 Apoiar a Amamentação para um planeta mais saudável. Aleitamento.com. Acesso em 06 de agosto de 2020. Disponível em: http://www.aleitamento.com/promocao/conteudo.asp?cod=2491

Sociedade Brasileira de Pediatria. SMAM 2020 pede apoio ao aleitamento materno para formação de um planeta mais saudável. Sociedade Brasileira de Pediatria. Acesso em 06 de agosto de 2020. Disponível em: https://www.sbp.com.br/imprensa/detalhe/nid/smam-2020-pede-apoio-ao-aleitamento-materno-para-formacao-de-um-planeta-mais-saudavel/

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