Existe mesmo um Sentido da Vida?

Qual o sentido da vida?”


Quantas vezes você já viu essa pergunta sendo feita por aí? Ela também foi motivo de reflexão para filósofos durante toda a história. A diversidade das respostas é esperada, afinal existem vários jeitos de explorarmos essa reflexão.
Mas antes, queria contar uma história.


Sou filho de médica e cresci com uma visão, compartilhada por muitos, que trata a medicina como uma missão. Não tenho o objetivo de discuti-la.
Ao decidir ser médico, pensava ser a única profissão que poderia exercer. Para o resto, “não serviria”. Quando passei no vestibular a sensação foi de ter conquistado o Mundo (mal sabia o que me esperava). Ao mesmo tempo, entrei na graduação sem saber se estava apto para o desafio. Durante a faculdade cheguei a pensar em largar o curso, por me considerar incapaz de carregar aquele fardo. Depois dos piores dias, vieram os melhores. Algumas vivências possuem mensagens tão importantes que demoramos muito para entendê-las completamente.


Hoje, alguns anos depois e já como médico, vejo que até poderia seguir em outras profissões. O que mudou na minha percepção?
Existe um problema sério na forma com a qual nos encaramos desde cedo. Ele começa com uma pergunta aparentemente inocente: “o que você vai ser quando crescer?”.
A resposta esperada é sempre algo como médico, artista, astronauta. Uma profissão.
Este exemplo simples mostra que às vezes o problema começa em atrelar sua existência a uma conquista externa, material. Talvez as circunstâncias da sua vida, muitas delas que não controlamos, chamem para outro rumo. Talvez a realidade mostre outro caminho.


O problema central é que não há como construir uma casa sólida começando pelo telhado. Este será um caminho de frustração.
Quando desde cedo atrelamos o sentido da nossa vida a bens externos, a coisas materiais, à busca do conforto e do prazer, nos tornamos frágeis e padronizados. Experimentamos um vazio existencial.


Até hoje a melhor abordagem sobre o Sentido da vida que encontrei foi dada pelo psiquiatra Viktor Frankl: “Essa questão não pode ser respondida em termos genéricos. Isso porque o sentido da vida difere de pessoa para pessoa, de um dia para outro, de uma hora para outra. O que importa, por conseguinte, não é o sentido da vida de um modo geral, mas antes o sentido específico da vida de uma pessoa em dado momento.”
Isso quer dizer que não podemos tratar do sentido como algo abstrato, mas sim como uma tarefa concreta, individual. Ele é modificavel e jamais deixa de existir.


O sentido é descoberto de 3 formas:
1) Praticando um ato dirigido a outra pessoa.
2) Experimentando algo (como bondade, natureza, cultura) ou amando outro ser humano em sua individualidade.
3) Convertendo o sofrimento inevitável em algo que deve ser vivido com dignidade.


O que há de comum entre elas?


O fato de só podermos responder ao chamado da vida sendo responsáveis.
Quando assumimos a plena consciência desta responsabilidade, podemos nos dedicar a uma causa e amar outra pessoa. Nos tornamos, assim, mais humanos. Este é o caminho da Liberdade.


Dessa forma, conseguimos olhar para nossa realidade e atuar nela. Entendemos que nossos defeitos fazem parte. Que a dor que sentimos neste momento é algo digno de ser enfrentado e superado. Que a nossa personalidade deve ser voltada para o cultivo do bem, dessa responsabilidade que permite que o amor surja. E com isso podemos deixar nossa casa com o piso firme, para que ela possa durar. Não importa a profissão que você tenha ou a classe social que ocupe.


Para que no último dia da nossa vida possamos olhar para ela e dizer: “Fui eu quem a vivi”. Com muito orgulho.

*Leitura sugerida:

Em Busca de Sentido : Viktor Frankl ( https://amzn.to/2UnH3KL )

12 Regras para a Vida : Jordan B. Peterson ( https://amzn.to/3h9BadL )

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