Pericardite

O pericárdio é a estrutura que envolve o coração em sua maior área, exceto o átrio esquerdo. Ele é dividido em três partes, sendo elas a visceral, serosa e parietal.

A pericardite pode estar presente como um quadro agudo ou como um quadro crônico, normalmente associado com doenças autoimunes.

Na maioria das vezes possui um curso autolimitado, benigno e não necessita de grandes intervenções para o seu controle, somente para o controle da dor.

Embora possua importante função cardiovascular, um indivíduo que precise retirá-lo consegue sobreviver pois ele não é essencial.

Figura 1 – http://www.ecotiba.com.br/noticia/o-que-e-pericardite/29

Funções

As funções do pericárdio se enquadram basicamente em dois grupos: estabilizadora e protetora.

Ele mantém o formato do coração, promovendo uma maior interação entre as câmaras cardíacas

Previne o enchimento excessivo do coração

Reduz o atrito entre o coração e as estruturas adjacentes

Limita o deslocamento do coração

Serve como barreira contra infecções

Classificação clínica das pericardites

Pode ser aguda, com evolução de 4 a 6 semanas.

Pode ser incessante, com evolução de 6 semanas a 3 meses.

Pode ser crônica, com evolução superior a 3 meses.

  • Pericardite aguda

Possui evolução de 4 a 6 semanas.

Pode ocorrer isoladamente ou secundária a alguma doença, como infarto agudo do miocárdio, neoplasias, terapia com radiação, doenças autoimunes ou secundárias a cirurgia cardíaca.

Pode ser bacteriana, com transmissão por contigüidade, comum em imunodeprimidos e pode estar associada à sepse.

O diagnóstico da pericardite aguda é feita perante a presença de 2 critérios, sendo eles:

Dor torácica – normalmente de início súbito, retroesternal, podendo irradiar para o membro superior esquerdo, ombro e trapézio, melhora quando o paciente está inclinado para frente pois desloca o coração da região mais inervada (que causa mais dor)

Atrito pericárdico durante a ausculta – melhor audível no final da expiração pois é quando o coração recebe maior retorno venoso. Pode desaparecer se houver derrame pericárdico, que afasta as camadas e diminui o atrito presente.

Presença de derrame novo ou piora de um pré existente visto através do ecocardiograma.

Alterações no eletrocardiograma – supradesnivelamento difuso do segmento ST, presença de onda T isquêmica (figura 2).

Figura 2 – https://cardiopapers.com.br/ecg-na-pericardite-aguda/

As complicações da pericardite mais freqüentes são recorrência do quadro e formação de derrame pericárdico que pode resultar em tamponamento cardíaco.

  • Pericardite recorrente

É a complicação mais comum da pericardite aguda e normalmente a fisiopatologia é autoimune. Outras causas também podem ser: pós pericardiotomia, pós infarto agudo do miocárdio, tuberculose.

Pode ser classificada como intermitente se o intervalo entre as crises for de 6 semanas ou incessante se o intervalo entre as crises for inferior a 6 semanas.

O diagnóstico é feito pela recorrência de alterações no eletrocardiograma, elevação dos marcadores de inflamação, atrito pericárdico na ausculta, leucocitose, formação de um novo derrame ou aumento de um pré existente.

  • Derrame pericárdico

As possíveis etiologias são: viral, idiopática, neoplasias, uremia, tuberculose, doenças reumatológicas, síndrome da injúria do pericárdio, hipotireoidismo, dissecção da aorta.

Caso o derrame se instale lentamente (derrame de evolução lenta), a pressão aumenta aos poucos, então há pouca resposta hemodinâmica até uma determinada quantidade de volume (até 2 litros). Caso o derrame se instale rapidamente (derrame de evolução rápida), a pressão aumenta muito rápido, ocorre grande resposta hemodinâmica, resultando em tamponamento cardíaco.

Figura 3 – https://pt.slideshare.net/JaimeCruz5/derrame-pericardico-y-taponamiento-cardiaco/3

Quadro clínico do derrame pericárdico

Na ausência de tamponamento, os sinais clínicos são pouco específicos.

Grandes derrames causam bulhas hipofonéticas pois criam um anteparo entre o fechamento valvar e a ausculta cardíaca.

Sinais de Ewart – há uma área de macicez na base do pericárdio pois um grande volume comprime pulmão e cria área atelectásica, diminuindo o som da percussão (figura 4).

Coração em moringa na radiografia – alteração da morfologia do coração, formato mais triangular (figura 4).

‘’Swinging heart’’ – no eletrocardiograma evidencia-se amplitudes diferentes devido ao coração se aproximar e se afastar do transdutor pela grande quantidade de volume formado.

Figura 4 – https://bedsidetothebench.wordpress.com/2017/01/18/sinal-de-ewart/
  • Tamponamento cardíaco

Consiste em uma síndrome com comprometimento hemodinâmico devido a compressão do coração por derrames pericárdicos que se instalam com evolução rápida ou com volumes superiores a 2 litros.

As causas mais comuns são: neoplasia, pericardite idiopática, insuficiência renal, pós cirúrgia.

O quadro clínico mais encontrado é definido pela tríade de Beck, que é composta por turgência jugular, hipotensão e abafamento das bulhas cardíacas.

O tratamento é feito através da pericardiocentese (punção acompanhada por exame de imagem para realização de citologias e culturas), cirurgia aberta ou videoscopia.

Referências:

FRIEDMANN, Antonio Américo. Diagn Tratamento. 2017;22(3):119-20. Disponível em: http://docs.bvsalud.org/biblioref/2017/08/848013/rdt_v22n3_119-120.pdf

JAMESON, ET al. Medicina interna de Harrison. 20ª edição. Porto Alegre: AMGH Editora Ltda, 2020.

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