Jejum Intermitente

O jejum intermitente é considerado como o intervalo de tempo em que você fica no estado não alimentado (sem comer). Ele é considerado como uma prática milenar, principalmente quando consideramo a prática por questões religiosas. Existem diversos protocolos, sendo os mais conhecidos 12h, 16h, 18h, 24h ou dias alternados.

Muitas pessoas têm realizado a prática do jejum na busca pelo emagrecimento, porém nem sempre o jejum irá gerar déficit calórico e, consequentemente, a perda de peso porque para que isso ocorra é necessário um balanço energético negativo (engana-se quem pensa que essa estratégia é utilizada apenas quando o objetivo é emagrecer). Então, na prática quando falamos de emagrecimento ele é considerado uma estratégia que pode ser utilizada na elaboração do plano alimentar como qualquer outra (desde que o paciente consiga ter adesão).

O jejum gera um estresse ao nosso corpo que até certo ponto é benéfico, mas se for muito intenso a capacidade adaptativa é comprometida. Quando ele ocorre, o corpo funciona de uma maneira otimizada, porém, esses impactos também são gerados por uma dieta que visa a restrição calórica. Então, já dá para perceber que quando o objetivo é o emagrecimento a restrição calórica contínua ou intermitente tem o mesmo efeito. Algumas pessoas ainda falam que nós já somos adeptos ao jejum porque os nossos ancestrais não realizavam várias refeições por dia como fazemos hoje. Ok, mas isso não quer dizer que você precise praticá-lo (todo caso é diferente).

No período de jejum o nosso corpo diminui o uso de carboidratos (CHO) e aumenta o uso de GORDURA, produzindo corpos cetônicos, pois visa a preservação de CHO por conta da manutenção da glicemia e isso ocorre através do processo de gliconeogênese (produção de glicose a partir de outros substratos). Devido a esse fator o nosso corpo e organismo conseguem sobreviver a períodos curtos de jejum.

Um dos argumentos usados por algumas pessoas para dizer que a prática não é segura é devido ao fato de em jejum não ingerirmos fontes de glicose, podendo então causar danos permanentes ao cérebro. Mas como falado anteriormente, o nosso corpo consegue produzir glicose e o órgão responsável por isso é o fígado, onde consegue produzir uma quantidade diariamente.

E quais são os benefícios? O jejum provoca algumas adaptações a nível de metabolismo energético e de proteção celular, ajudando na melhora dos marcadores metabólicos (redução da glicemia e insulina; melhorar o perfil do colesterol); reduz inflamação; ajuda na redução da pressão arterial; ajuda na destoxificação (eliminação de toxinas armazenadas); estimula autofagia celular (o corpo decompõe células velhas e cria novas células mais eficazes para o bom funcionamento do metabolismo); melhora a saúde mitocondrial e estimula o crescimento de novas células cerebrais (ajudando na prevenção de doenças crônicas como Alzhemier e Parkinson); favorável ao envelhecimento e na cura de doenças degenerativas, entre outras.

Algumas pessoas ainda relatam que se sentem mais disposta ou alerta durante o período de jejum. Um ponto importante a se falar é que ele não diminui ou desacelera o metabolismo como algumas pessoas falam, assim como não causa o catabolismo.

O jejum não é uma estratégia para todo mundo. Ele não é recomendado para gestantes, lactantes, pacientes com diabetes tipo I, idosos, pessoas com algum tipo de transtorno, entre outros casos. Outra questão é que algumas pessoas não conseguem se adaptar, podendo sentir alguns sintomas adversos como dor de cabeça, tontura, fraqueza, náuseas, etc.

É sempre bom lembrar que toda estratégia deve ser orientada por um profissional e no caso do jejum não é diferente.

Referências:

CABO, R. de; MATTSON, M. P. Effects of Intermittent Fasting on Health, Aging and Disease. The New England Hournal of Medicine, 2019.

CIOFFI, I.; EVANGELISTA, A.; PONZO, V. et al. Intermittent versus continuous energy restriction on weigth loss and cardiometabolic outcomes: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. J Transl Med, 2018.

FREIRE, R. Scientific evidence of diets for weight loss: Different macronutrient
composition, intermittent fasting, and popular diets
. Nutrition Volume 69, January 2020, 110549. 2019.

MATTSON, M. P.; LONGO, V. D.; HARVIE, M. Impact of intermittent fasting on health and disease processes. Journal Elsevier, 2016.

PATTERSON, R. E.; SEARS, D. D. Metabolic Effects of Intermittent Fasting. Annual Review of Nutrition, 2017.

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: