Estenose aórtica

Imagem 1 – https://seucardio.com.br/estenose-aortica/

A estenose aórtica (imagem 1) é uma valvulopatia caracterizada pela dificuldade de abertura da valva durante a sístole.

As principais causas são válvula bicúspide (imagem 2), doença reumática e calcificação (imagem 2), sendo a primeira mais comum em indivíduos com menos de 70 anos e a última em indivíduos com mais de 70 anos.

Imagem 2 – https://cardiopapers.com.br/eao_eco_dobutamina/

  • Fisiopatologia
Imagem 3 –
https://www.bostonscientific.com/pt-BR/pacientes/condicoes-clinicas/entenose-da-valvula-aortica.html

Normalmente, durante a sístole a válvula aórtica deve abrir-se para que o ventrículo ejete todo o seu volume para a aorta e consequentemente para a circulação sistêmica.

 Nessa valvulopatia, como a válvula possui dificuldade de abertura (imagem 3), o ventrículo esquerdo (VE) precisa exercer uma força maior para conseguir ejetar todo o sangue presente na sua câmara e como isso se torna comum, se hipertrofia. Nesse estágio o indivíduo apresenta-se assintomático.

Com o tempo, a hipertrofia exerce uma alta pressão, resultando em dificuldade de relaxamento e de enchimento pelo VE na diástole. Como o débito sistólico está diminuído, o sangue é direcionado para os órgãos vitais. Nesse estágio o indivíduo começa a apresentar sintomas, como cansaço, limitação aos esforços, angina e dispnéia.

Caso o indivíduo seja submetido à um teste ergométrico ou à algum exercício físico, os músculos do corpo necessitam de mais sangue, desviando o baixo volume que estava sendo direcionado para os órgãos vitais. Logo, há diminuição de sangue para o cérebro e síncope.

Devido a dificuldade de relaxamento e enchimento, durante a diástole o VE não consegue receber todo o sangue do átrio esquerdo (AE) e o mesmo se acumula. Então a próxima contração atrial deverá ser potente para o AE conseguir distender a parede do VE e ejetar todo o seu volume.

Com o tempo, o AE não consegue mais realizar essa contração potente  para distender o VE, então o sangue se acumula e se transmite retrogradamente para o pulmão. Nesse estágio o indivíduo apresenta dispnéia e congestão pulmonar.

As manifestações pré terminais são insuficiência cardíaca, fibrilação e disfunção atrial e hipertensão arterial pulmonar.

  • Apresentação clínica

Os pacientes podem apresentar sintomas dependendo do estágio da doença em que se encontram, como cansaço, limitação aos esforços, angina, dispnéia, síncope e congestão pulmonar.

Além disso, podem apresentar alguns sinais ao exame físico, como:

Ictus propulsivo e sustentado, normolocalizado

Presença da quarta bulha (B4) devido a sobrecarga de pressão

Pulso parvus et tardus (imagem 4) – parvus pois a amplitude de sangue na periferia é baixa e tardus pois o tempo de ejeção é maior para o VE conseguir ejetar todo o sangue

Imagem 4 –
http://varimed.ugr.es/index.php?op=viewconcepto&idconcepto=1380

Sopro em diamante (imagem 5) – VE precisa realizar grande pressão para abrir a valva aórtica e depois quando consegue abrir, a pressão diminui

Imagem 5 –
https://thevalveclub.com.br/o-exame-fisico-das-valvopatias/

Ruído de abertura da válvula aórtica – como a valva está espessada pela estenose, emite um ruído quando abre (aos a primeira bulha). Em casos de estenose severa, não encontra-se ruído pois a valva quase não consegue abrir.

  • Exames

A radiografia de tórax demonstra um índice cardiotorácico normal (o crescimento do coração é concêntrico) e em casos tardios pode-se observar dilatação (imagem 6). Além disso, é possível observar o alongamento da aorta pela idade avançada do indivíduo, hipertensão arterial e déficit de distensibilidade vascular.

Imagem 6 –
https://asdoencascardiacas.blogspot.com/2013/02/cardiomegalia-coracao-dilatado_15.html

No eletrocardiograma pode estar presente o índice de Sokolov (imagem 7), sinal de strain (imagem 8) e índice de Morris (imagem 9).

Imagem 7 –

https://slideplayer.com.br/slide/13884587/
Imagem 8 –
https://cardiopapers.com.br/sempre-escutou-historia-da-colher-de-pedreiro-causada-acao-digital-no-ecg-e-nunca-entendeu-direito-gente-te-explica/
Imagem 9 –
https://cardiopapers.com.br/ecg-voce-sabe-calcular-o-indice-de-morris-tem-certeza/

O ecocardiograma (imagem 10) mede os gradientes de pressão dentro das câmaras cardíacas.

Imagem 10 –
https://ecor.com.br/cursos-ecocardiografia/a-pratica-de-ecocardiografia/estenose-aortica/

  • Tratamento

A desobstrução com o balão (imagem 11) é um procedimento paliativo onde a válvula aórtica é quebrada. Pedaços da mesma podem entupir a coronária, portanto é contra indicada em pacientes com insuficiência cardíaca, já que os malefícios seriam maiores que os benefícios.

Imagem 11 –
https://www.eltonfernandes.com.br/tavi-para-tratar-estenose-aortica-grave-plano-de-saude-deve-custear-mesmo-fora-do-rol-da-ans

O procedimento de troca válvula aórtica transcateter (imagem 12) pode ser realizado em indivíduos jovens ou idosos. Normalmente em idosos coloca-se uma válvula biológica (imagem 13), em mulheres que desejam engravidar coloca-se a biológica pois a de metal pode provocar teratogênese e em homens jovens coloca-se a de metal (imagem 13). A cirurgia só deve ser indicada nos pacientes que apresentam sintomas.

Imagem 12 –
https://www.cardiotoracica-gaia.com/o-que-eacute-a-doenccedila-valvular.html
Imagem 13-
https://temasemcardiologia.com.br/protese-biologica-x-mecanica-como/

Referências bibliográficas:

Harrison. Principios de Medicina Interna, 20e. J. Larry Jameson, Anthony S. Fauci, Dennis L. Kasper, Stephen L. Hauser, Dan L. Longo, Joseph Loscalzo.

https://www.cardiotoracica-gaia.com/o-que-eacute-a-doenccedila-valvular.html

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