Câncer de Próstata

A próstata é um pequeno órgão que compõe o sistema geniturinário masculino. Situa-se logo abaixo da bexiga e tem o tamanho de uma noz, com a idade pode sofrer um aumento de tamanho agravando em desconforto e alguns sintomas, ou não, que podem ser sinal de câncer.

Apesar de ser considerado um câncer da terceira idade, já que cerca de 75% dos casos no mundo ocorrem a partir dos 65 anos, o conhecido exame de próstata é recomendado a partir dos 40 ou 45 anos (há variações na literatura).

O que é

A próstata é um pequeno órgão que compõe o sistema geniturinário masculino. Situa-se logo abaixo da bexiga, e tem como função o armazenamento e excreção de um fluido claro que compõe o sêmen. Por sua localização, é importante saber que há uma pequena parte da uretra envolta pela próstata, por isso, o aumento pode gerar desconforto durante a micção (urinar).

É um câncer que possível metástase, ou seja, pode se espalhar para outros órgãos e nesse caso são comuns em ossos e linfonodos.

Causas e fatores de risco

– Seu risco aumenta com a idade;

– Histórico familiar também é um fator envolvido, quanto mais próximo o parentesco, maiores são as chances de desenvolvimento. O que possibilita a ida regular para consulta e realização de exames para que seja identificado o quanto antes;

– Níveis hormonais podem variar para cada indivíduo e idade;

– Mais comum em negros e hispânicos

– Ambiente inserido pode variar sobre o lugar onde vive.

Sinais e sintomas

Muitos casos podem ser assintomáticos, até causar sangue na urina e dor à micção (podendo levar anos para ocorrer). Quando chega a esse ponto, é cada vez mais difícil de curar. Alguns sintomas são:

  • Dificuldade de urinar
  • Incontinência urinária
  • Dor à micção
  • Necessidade de urinar maior que de costume

Atenção: se houver algum desses sintomas persistentes, procure seu médico ou o posto de saúde mais próximo!

Diagnóstico

É necessário um diagnóstico clínico de um médico especialista a partir do exame de próstata, o qual com a dificuldade dos homens em aceitar fazê-lo, se torna cada vez mais tardia a identificação e mais difícil a cura. Pode ser confundido com Hiperplasia Prostática Benigna (HPB), por seus sintomas semelhantes. Porém, o tratamento e conduta podem ser diferentes.

São feitas algumas triagens pela preferência do médico especialista, podem ser feitos:

  • Toque retal
  • PSA (por exame de sangue)
  • Biópsia
  • Ultrassonografia

Alguns estudos vêm aprimorando o método de exame de amostras da urina, o que promoveria uma maior adesão do publico masculino. Mas ainda não se tem um prazo para dizer que é o melhor método a ser utilizado.

Classificação

A classificação de Gleason, é a mais comum e utilizada para avaliar seu prognóstico. É baseado de acordo com o arranjo das células prostáticas.

  • Grupo de grau 1 = Gleason 6 (3+3)
  • Grupo de grau 2 = Gleason 7 (3+4)
  • Grupo de grau 3 = Gleason 7 (4+3)
  • Grupo de grau 4 = Gleason 8
  • Grupo de grau 5 = Gleason 9 e 10

Quanto maior o Grau, mais grave e maior chance de se espalhar (metástase). Seu resultado deve ser sempre encaminhado para o médico especialista.

Tratamento

Pode ser cirúrgico, com a retirada da próstata. Pode ser utilizada para casos mais graves ou até mesmo para evitar possíveis complicações.

A radioterapia também é utilizada, de forma que diminua ou extermine o câncer. Pode ser utilizado também a terapia hormonal. Entretanto, é importante frisar a importância da relação com o médico, deve ser sempre confiável e de maneira que encontrem o melhor tratamento.

Trombose venosa profunda

A trombose venosa profunda (TVP) consiste na coagulação patológica no interior de uma veia profunda, sendo mais comum nos membros inferiores, principalmente na panturrilha. O quadro normalmente possui evolução aguda, unilateral e progressiva, podendo começar na panturrilha e ascender em direção proximal até atingir as veias femorais ou intrapélvicas. Sua evolução costuma ser desfavorável, com comprometimento venoso importante, resultando em edema crônico, limitação funcional, psicológica e social, além de facilitar o desenvolvimento de outras patologias.

Fig 1 – http://portalcirurgiavascular.com.br/trombose-venosa-profunda-medicos-precisam-estar-alertas/
  • Quadro clínico

Na maioria dos casos o indivíduo é assintomático e é diagnosticado através de exames de imagem de rotina.

Os sinais e sintomas geralmente incluem dor espontânea ou dor à palpação (figura 2), edema ou aumento da consistência da panturrilha, calor e rubor discretos locais, presença discreta de varizes na região acometida (figura 3), sinal de homans positivo (compressão da panturrilha junto com a dorsiflexão do pé causa dor, porém não é um sinal específico de TVP; figura 4).

Fig 2 – http://lufisioterapia2014.blogspot.com/2014/05/trombose-venosa-profunda-mobilizar-ou.html
Fig 3 – https://noticias.r7.com/saude/associacao-medica-alerta-para-riscos-de-tratamento-contra-varizes-20062018
Fig 4 –  http://www.concursoefisioterapia.com/2009/01/trombose-venosa-profunda-tvp.html
  • Fatores predisponentes ou de risco

A Tríade de Virchow favorece a formação de trombos e é composta por:

Estase venosa – devido a imobilização prolongada, que pode ser gerada por seqüelas neurológicas, choque prolongado, sedação prolongada, ventilação mecânica invasiva, pós operatório de grandes cirurgias, viagens prolongadas.

Injúria da parede vascular – devido a episódios prévios de trombose venosa profunda, síndrome pós flebítica, erisipela, linfagite crônica, insuficiência venosa crônica, trauma.

Hipercoagulabilidade – devido a fatores genéticos, como a deficiência das proteínas C e S, da antitrombina, do fator intrínseco de Leiden

Outros fatores de risco para a TVP:

Neoplasias malignas – dificultam o retorno venoso no membro acometido, favorecendo a estase sanguínea e aumentando o risco para TVP.

Síndrome nefrótica – paciente possui quadro de edema instalado e estase venosa.

Obesidade – excesso de peso favorece a estase venosa.

Hiperviscosidade sanguínea – algumas causas podem ser policitemia severa (doença hematológica onde o indivíduo possui a produção de hemácias aumentada) e poliglobulia (indivíduo possui hipoxemia crônica, que estimula a produção em excesso de hemácias). Ambos favorecem a estase venosa e a hipercoagulabilidade, podendo lesionar a parede vascular

Aumento da pressão venosa central – causa um aumento da pré carga, podendo evoluir para uma insuficiência cardíaca congestiva descompensada. Quando o coração trabalha com altas pressões, pode ocorrer lesão à parede vascular e quando ele não consegue ejetar todo o volume que recebeu na sístole, pode favorecer a estase venosa.

Doença pulmonar obstrutiva crônica exacerbada – resulta em hipoxemia crônica, estimulando uma maior produção de hemácias, aumentando a viscosidade sanguínea

Acidente vascular encefálico – os pacientes acometidos podem desenvolver hemiplegia, redução da força muscular de algum membro, ficam acamados por tempo prolongado e não se movimentam muito. Esse quadro favorece a estase venosa.

Pacientes grandes queimados – normalmente ficam internados por tempo prolongado e não se movimentam muito, favorecendo a estase venosa.

Pacientes com idade acima de 50 anos – os vasos sanguíneos não possuem sua estrutura preservada, sendo mais propícios à injúria vascular.

Uso de contraceptivo oral ou reposição de estrogênios – resultam em hipercoagulabilidade sanguínea, favorecendo a formação de trombos.

  • Diagnóstico diferencial

Outros quadros clínicos que podem ser confundidos com a TVP são:

Tromboflebites – inflamação causada por coágulo sanguíneo.

Celulites em fase inicial – indivíduo pode apresentar aumento do volume, discreto calor e rubor local, pode apresentar febre (quadro clínico da TVP não possui febre).

Erisipela em fase inicial – indivíduo pode apresentar aumento de volume, discreto calor e rubor local, dor mais intensa do que a presente nos quadros de TVP, edema costuma ser duro (edema na TVP é mole).

Insuficiência veno linfática crônica – edema crônico por lesão dos vasos linfáticos e venosos, que dificulta a drenagem linfática e a lesionam a parede venosa

Linfedema – indivíduo possui lesão importante nos vasos linfáticos, dificultando a drenagem linfática

Lipoedema – representa um falso edema em indivíduos com obesidade mórbida, onde as massas pelo excesso de peso comprimem o sistema venoso, lesionando a parede venosa

Edema de membros inferiores secundários à insuficiência cardíaca descompensada, cor pulmonale, síndrome nefrótica, dentre outros. É importante lembrar que vários desses diagnósticos diferenciais são também fatores de risco para o desenvolvimento de um quadro de TVP, então se o paciente apresentar algum dos diagnósticos citados, não exclui a possibilidade de TVP associado.

  • Complicações clínicas

Tromboembolia pulmonar (TEP) – complicação muito freqüente. Trombo obstrui a passagem de sangue para o pulmão, há comprometimento da troca gasosa, resultando em hipoxemia grave, diminuição do retorno venoso, dificuldade na manutenção da pressão arterial, hipotensão e choque.

Embolias pulmonares de repetição – trombo aumenta a pressão venocapilar no pulmão, gerando cor pulmonale.

Complicações veno linfáticas – relacionadas com infecção devido a dificuldade de drenagem.

Úlcera varicosa – resultam da má circulação sanguínea nos membros inferiores, possuem ulceração crônica e tratamento difícil.

  • Exames

O exame que determina o diagnóstico de TVP é a ultrassonografia venosa superficial e profunda com Doppler dos membros inferiores (figura 5).

Outros exames que podem ser utilizados para auxiliar no diagnóstico são: radiografia de tórax, angiotomografia, angioressonância magnética, eletrocardiograma, ecocardiograma com doppler, hemograma completo, EAS.

Fig 5 – https://pt.slideshare.net/CibeleCarvalho3/ultrassonografia-vascular-modo-b-e-doppler-flaus-2014

Referência:

JAMESON, ET al. Medicina interna de Harrison. 20ª edição. Porto Alegre: AMGH Editora Ltda, 2020.

Como o ciclismo pode ajudar a sua vida

Porcelet, Nova Friburgo

Provavelmente você já escutou falar nesse esporte que está muito popular ultimamente. Nesse caso, ou até mesmo se vc não faz nem ideia do que eu estou falando, aqui vai um guia prático: você precisa de uma bicicleta e de vontade. É simples.

A bicicleta, é evidente a necessidade de uma, mas aqui explico a vontade. O ser humano é preguiçoso por natureza e de acordo com algumas teorias, isso se deve ao fato de que quando nós éramos meros caçadores a milhões de anos atrás e a comida era escassa, nós precisávamos poupar energia pois nunca sabíamos quando seria a nossa próxima refeição. Então a preguiça é natural. Até mesmo os outros animais possuem esse mecanismo poupador de energia em suas cabeças. A diferença entre o ser humano e as demais espécie é a evolução e o desenvolvimento de uma consciência que é capaz de criar, raciocinar, entre outras ações que nós diferenciam de outros animais. Nós também desenvolvemos uma sociedade com um sistema de produção e com isso, em muitas partes do mundo, a caça e a escassez de comida já não são presentes, inclusive, o existem pessoas consumem alimento exageradamente. Juntando esse fato com a inatividade física, acontece que com que essa energia fica acumulada em nosso corpo em forma de lipídios.

E onde entra a vontade? A vontade entra na quebra da ação meramente instintiva que é a preguiça para uma ação racional que é sair da inércia do acúmulo exagerado de energia para se movimentar e fazer alguma atividade física. Nesse caso o ciclismo.

Existem inúmeros benefícios para o seu corpo que esse esporte pode trazer: fortalecimento muscular (principalmente em membros inferiores), alto gasto energético que pode melhorar a circulação sanguínea pela diminuição de lipídios no sangue (níveis de LDL diminuídos fazem com que haja menos inflamação na circulação). Há também a liberação de endorfina que é um dos hormônios ligados ao bem estar, e a liberação de adrenalina, que mesmo sendo relacionado ao estresse, faz com que o corpo aprenda a lidar com as descargas de tensão. Aliado a isso, ainda vai poder observar as belas paisagens do caminho.
O maior benefício é o mental. Um pedal bem bem feito pode dar uma injeção de ânimo na sua vida, resgatando a sua autoconfiança.

Obrigado pela atenção e bom pedal!!

Rotulagem Nutricional

Quando as pessoas têm por objetivo buscar um estilo mais saudável acabam escolhendo alguns alimentos pela embalagem, mas não sabem interpretar as entrelinhas já que as informações não são claras. Ler e interpretar os rótulos dos alimentos não é fácil para a maior parte da população.

O primeiro passo para sabermos melhor o que estamos consumindo é ficar de olho nos rótulos porque ele são a identidade do alimento, além de ser o primeiro contato entre o produto e o consumidor, só que normalmente todas as informações importantes estão “escondidas”. A rotulagem é uma ferramenta para conhecermos a composição do alimento e para que possamos nos basear na hora de escolher os produtos. Então, é importante criar o hábito de ler antes de comprar os alimentos.

Mas por onde começar? Existe alguns pontos que devemos nos atentar, como:

Lista de ingredientes: ela irá informar todos os ingredientes que compõem o produto e SEMPRE se apresenta na ordem decrescente, ou seja, o primeiro nome está sempre em maior quantidade e o último em menor quantidade. Outro ponto importante é a quantidade de ingredientes, quanto menor for a lista mais natural é o alimento. Então já sabe, na hora que pegar um produto com uma lista enorme, ele é considerado um ultraprocessado, devemos evitar!

Aditivos químicos: esses ingredientes são adicionados de forma intencional nos alimentos com o objetivo de modificar características físicas, químicas, biológicas ou sensoriais. Na grande maioria das vezes nós não conhecemos os nomes, então também é bom evitar.

Açúcar: ele pode se apresentar de diversas formas e com nomes diferentes, como: sacarose, glicose, maltodextrina, frutose, xarope etc. Então já sabe, quando ver que o produto está escrito “zero açúcar”, mas possui alguns desses nomes é sinal que estão tentando te enganar.

Tipo de gordura: gordura vegetal, hidrogenada, de palma etc. não são benéficas à saúde e devem ser evitadas.

Glutamato monossódico: essa é uma substância responsável por realçar o sabor dos alimentos, além de viciar nosso paladar.

Ai chega na hora de olhar a tabela ou informação nutricional e mais uma vez as pessoas também possuem dificuldade, afinal ela também tem alguns segredos:

Informação nutricional de iogurte

Porção: corresponde a uma quantidade específica de alimento e não da embalagem como um todo. É considerada uma média do alimento a ser consumido por uma pessoa sadia, de forma a manter uma alimentação saudável.

Medida caseira: ela vem logo após a porção, estando entre parênteses, indicando a porção do alimento segundo uma medida usada pelo consumidor, como: fatia, unidades, potes, xícaras, copos, colheres de sopa, café ou chá.

Valor energético: é a quantidade de energia fornecida ao nosso corpo pelo alimento derivado de carboidratos, proteínas e gorduras que o compõe. Esse valor é expresso em forma de kcal (quilocaloria), porém também tem a informação em kJ (kilojoule) .

Percentual de valores diários (%VD): Os valores diários sugerem as quantidades em percentual de nutrientes e calorias que você irá ingerir a partir da porção do produto, sendo baseado em uma dieta de 2.000 kcal (este é um padrão quando falamos sobre rotulagem, mas vale lembrar que a quantidade calórica de uma dieta e quantidade de nutrientes é individual, variando de acordo com as necessidades).

Existem ainda alguns itens de declaração obrigatória, como carboidratos, proteínas, gorduras totais, gordura saturada, gordura trans, fibras alimentares e sódio. Porém, outros nutrientes podem ser considerados como obrigatório dependendo do produto.

Carboidratos: é considerado fonte de energia para as nossas células.

Proteínas: necessária para a construção e manutenção dos nosso órgãos, tecidos e células.

Gorduras totais: é a soma de todas as gorduras encontradas no alimento, seja de origem animal ou vegetal. São as principais fontes de energia e ajudam na absorção das vitaminas A, D, E e K.

Gordura saturada: é encontrada principalmente nos produtos de origem animal, porém, uma ingestão em excesso pode aumentar o risco de doenças cardiovasculares.

Gordura trans: ela não deve estar presente nos alimentos e não existe uma recomendação diária para o uso, mas a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) determina uma quantidade mínima de 0,5g para que o item entre na lista.

Fibras alimentares: ajudam no controle das taxas de glicemia e colesterol, além de melhorar a função intestinal e aumentar a saciedade. A recomendação diária é de 25g/dia, porém, segundo a legislação para um alimento ser fonte de fibra tem que constar no rótulo 2,5g por porção. Então, CUIDADO com as embalagens que dizem ser fonte de fibras.

Sódio: a ingestão diária é de 2 a 5g de sal/dia.

Existe ainda as informações adicionais que devemos prestar atenção, principalmente se você possui algum tipo de alergia ou intolerância, como ao glúten e a lactose.

Então, devemos sempre escolher produtos que tenham uma lista de ingredientes pequena, sem açúcares, adoçantes e gorduras artificiais. Além de uma menor quantidade de aditivos químicos, conservantes, aromatizantes, espessantes e emulsificantes.

Referências:

BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução RDC ANVISA/MS nº.259, de 20 de setembro de 2002. Regulamento Técnico para Rotulagem de Alimentos Embalados. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 23 set. 2002. Seção 1.

BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução RDC ANVISA/MS nº 360, de 23 de dezembro de 2003. Regulamento Técnico sobre Rotulagem Nutricional e Alimentos Embalados. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 26 dez. 2003. Seção 1.

BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Rotulagem Nutricional Obrigatória: Manual de Orientação as Indústrias de Alimentos. 2ª versão. Brasilia: ANVISA, UnB, 2005. Disponível em: <http://portal.anvisa.gov.br/documents/33916/389979/Rotulagem+Nutricional+Obrigat%C3%B3ria+Manual+de+Orienta%C3%A7%C3%A3o+%C3%A0s+Ind%C3%BAstrias+de+Alimentos/ae72b30a-07af-42e2-8b76-10ff96b64ca4>

MACHADO, R. L. P. Manual de Rotulagem de Alimentos. Rio de Janeiro: EMBRAPA, 2015. Disponível em: <https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/142308/1/DOC-119.pdf>

Intolerância à Lactose

O que é

É um distúrbio causado pela incapacidade (parcial ou completa) da digestão do principal açúcar do leite e seus derivados, a lactose, devido à produção insuficiente da enzima lactase.

Pessoas com intolerância não possuem a quantidade necessária da enzima para fazer a quebra do açúcar e digeri-lo de forma correta. Essa enzima, conhecida como lactase, é produzida e tem ação no intestino, fazendo a quebra do açúcar, lactose, realizando sua digestão. Com a carência da enzima, não há essa digestão e absorção correta dos nutrientes ocasionando alguns sintomas e caracterizando essa intolerância.

Classificação

  1. Primária: esta é adquirida e relacionada à genética da pessoa, quando ocorre a não persistência da enzima causando a má-absorção da lactose. Muito comum entre jovens e adultos.

Ex: nesta condição, a quantidade de lactose que pode causar desconforto varia de indivíduo para indivíduo.

2. Secundária: ocorre devido a alguma deficiência ou lesão do intestino, relacionada a doença que pode acometer o intestino. Pode ser temporária ou permanente.

Ex: existem doenças inflamatórias do intestino, Doença de Crohn e entre outras que podem causar deficiência à lactose pois acometem a parede intestinal.

3. Congênita: existem situações um pouco raras, em que a criança nasce com incapacidade de produção da enzima podendo rejeitar até mesmo o leite materno. É uma condição, também, muito ligada à genética.

Ex: crianças prematuras são mais dispostas a desenvolver intolerância uma vez que os níveis de enzima só aumentam a partir do terceiro trimestre de gravidez.

Sinais e sintomas

  • Inchaço;
  • Enjoo;
  • Cólicas abdominais;
  • Gases;
  • Cólica abdominal;
  • Vômitos;
  • Diarreia (ou até mesmo constipação).

Diagnóstico

O diagnóstico é clínico e deve ser feito sempre por um médico. Pode vir acompanhado de alguns exames como o Teste de Hidrogênio e Análise Molecular, por meio da genética, por exemplo.

Caso persistam alguns dos sintomas após o consumo de algum alimento derivado do leite (exemplos na lista a seguir), procure seu médico ou o posto de saúde mais próximo.

Como lidar?

É muito importante que, a partir do diagnóstico e até mesmo durante os exames ambulatoriais, a pessoa saiba que deva evitar produtos laticínios mas não abolir. Ou seja, uma restrição dietética.

Porém, apesar do que muitos pensam, nos dias de hoje é muito comum encontrarmos esse tipo de produto sem lactose e de fácil acesso. A indústria alimentícia evoluiu muito ao longo dos anos nesse ramo, o que deixa a dieta para quem tem intolerância muito mais prazerosa.

  • Alguns alimentos com lactose
    • Leite de vaca (todos os tipos);
    • Leite condensado;
    • Leite de cabra;
    • Creme de leite;
    • Queijo;
    • Sorvete;
    • Iogurte;
    • Biscoitos;
    • Manteiga.
Muitas indústrias cresceram para atender o público com intolerância à lactose, muitos produtos derivados do leite já são disponíveis dessa forma. No entanto, deve-se conferir sempre a embalagem a fim de prevenir algumas fraudes.

Tratamento

O principal ponto do tratamento é diminuir o consumo da lactose por meio de alimentos rotulados. Consiste também, de maneira primordial, no entendimento do paciente a partir da relação com seu médico para chegar a melhor dieta e método de tratamento.

No entanto, a maior parte dos pacientes com intolerância à lactose tolera consumo em média de 250mL de leite de vaca ou equivalente (12g de lactose) ao dia – o que também varia de pessoa para pessoa.

Existe o tratamento com suplementos enzimáticos, esses comprimidos podem ser adicionados a comidas e bebidas que auxiliam na eficácia da digestão.

Assim como suplementação de pro e prebióticos, que atuam aumentando a capacidade de fermentação da lactose para melhor absorção.

Referências

Genomic, Engenharia Molecular – https://genomic.com.br/intolerancia-a-lactose/

T. Di Rienzo, G. D’Angelo, F. D’aversa, M.C. Campanale, V. Cesario, M. Montalto, A. Gasbarrini, V. Ojetti
Lactose intolerance: from diagnosis to correct management

Portal PEBMED – Clínica Médica / Como diagnosticar e tratar a intolerância à lactose?

Pericardite

O pericárdio é a estrutura que envolve o coração em sua maior área, exceto o átrio esquerdo. Ele é dividido em três partes, sendo elas a visceral, serosa e parietal.

A pericardite pode estar presente como um quadro agudo ou como um quadro crônico, normalmente associado com doenças autoimunes.

Na maioria das vezes possui um curso autolimitado, benigno e não necessita de grandes intervenções para o seu controle, somente para o controle da dor.

Embora possua importante função cardiovascular, um indivíduo que precise retirá-lo consegue sobreviver pois ele não é essencial.

Figura 1 – http://www.ecotiba.com.br/noticia/o-que-e-pericardite/29

Funções

As funções do pericárdio se enquadram basicamente em dois grupos: estabilizadora e protetora.

Ele mantém o formato do coração, promovendo uma maior interação entre as câmaras cardíacas

Previne o enchimento excessivo do coração

Reduz o atrito entre o coração e as estruturas adjacentes

Limita o deslocamento do coração

Serve como barreira contra infecções

Classificação clínica das pericardites

Pode ser aguda, com evolução de 4 a 6 semanas.

Pode ser incessante, com evolução de 6 semanas a 3 meses.

Pode ser crônica, com evolução superior a 3 meses.

  • Pericardite aguda

Possui evolução de 4 a 6 semanas.

Pode ocorrer isoladamente ou secundária a alguma doença, como infarto agudo do miocárdio, neoplasias, terapia com radiação, doenças autoimunes ou secundárias a cirurgia cardíaca.

Pode ser bacteriana, com transmissão por contigüidade, comum em imunodeprimidos e pode estar associada à sepse.

O diagnóstico da pericardite aguda é feita perante a presença de 2 critérios, sendo eles:

Dor torácica – normalmente de início súbito, retroesternal, podendo irradiar para o membro superior esquerdo, ombro e trapézio, melhora quando o paciente está inclinado para frente pois desloca o coração da região mais inervada (que causa mais dor)

Atrito pericárdico durante a ausculta – melhor audível no final da expiração pois é quando o coração recebe maior retorno venoso. Pode desaparecer se houver derrame pericárdico, que afasta as camadas e diminui o atrito presente.

Presença de derrame novo ou piora de um pré existente visto através do ecocardiograma.

Alterações no eletrocardiograma – supradesnivelamento difuso do segmento ST, presença de onda T isquêmica (figura 2).

Figura 2 – https://cardiopapers.com.br/ecg-na-pericardite-aguda/

As complicações da pericardite mais freqüentes são recorrência do quadro e formação de derrame pericárdico que pode resultar em tamponamento cardíaco.

  • Pericardite recorrente

É a complicação mais comum da pericardite aguda e normalmente a fisiopatologia é autoimune. Outras causas também podem ser: pós pericardiotomia, pós infarto agudo do miocárdio, tuberculose.

Pode ser classificada como intermitente se o intervalo entre as crises for de 6 semanas ou incessante se o intervalo entre as crises for inferior a 6 semanas.

O diagnóstico é feito pela recorrência de alterações no eletrocardiograma, elevação dos marcadores de inflamação, atrito pericárdico na ausculta, leucocitose, formação de um novo derrame ou aumento de um pré existente.

  • Derrame pericárdico

As possíveis etiologias são: viral, idiopática, neoplasias, uremia, tuberculose, doenças reumatológicas, síndrome da injúria do pericárdio, hipotireoidismo, dissecção da aorta.

Caso o derrame se instale lentamente (derrame de evolução lenta), a pressão aumenta aos poucos, então há pouca resposta hemodinâmica até uma determinada quantidade de volume (até 2 litros). Caso o derrame se instale rapidamente (derrame de evolução rápida), a pressão aumenta muito rápido, ocorre grande resposta hemodinâmica, resultando em tamponamento cardíaco.

Figura 3 – https://pt.slideshare.net/JaimeCruz5/derrame-pericardico-y-taponamiento-cardiaco/3

Quadro clínico do derrame pericárdico

Na ausência de tamponamento, os sinais clínicos são pouco específicos.

Grandes derrames causam bulhas hipofonéticas pois criam um anteparo entre o fechamento valvar e a ausculta cardíaca.

Sinais de Ewart – há uma área de macicez na base do pericárdio pois um grande volume comprime pulmão e cria área atelectásica, diminuindo o som da percussão (figura 4).

Coração em moringa na radiografia – alteração da morfologia do coração, formato mais triangular (figura 4).

‘’Swinging heart’’ – no eletrocardiograma evidencia-se amplitudes diferentes devido ao coração se aproximar e se afastar do transdutor pela grande quantidade de volume formado.

Figura 4 – https://bedsidetothebench.wordpress.com/2017/01/18/sinal-de-ewart/
  • Tamponamento cardíaco

Consiste em uma síndrome com comprometimento hemodinâmico devido a compressão do coração por derrames pericárdicos que se instalam com evolução rápida ou com volumes superiores a 2 litros.

As causas mais comuns são: neoplasia, pericardite idiopática, insuficiência renal, pós cirúrgia.

O quadro clínico mais encontrado é definido pela tríade de Beck, que é composta por turgência jugular, hipotensão e abafamento das bulhas cardíacas.

O tratamento é feito através da pericardiocentese (punção acompanhada por exame de imagem para realização de citologias e culturas), cirurgia aberta ou videoscopia.

Referências:

FRIEDMANN, Antonio Américo. Diagn Tratamento. 2017;22(3):119-20. Disponível em: http://docs.bvsalud.org/biblioref/2017/08/848013/rdt_v22n3_119-120.pdf

JAMESON, ET al. Medicina interna de Harrison. 20ª edição. Porto Alegre: AMGH Editora Ltda, 2020.

O Luto nos tempos de Pandemia

Definição de luto: expressão de tristeza ou pesar pela perda de algo ou alguém.


Associamos muito o luto à morte, mas não necessariamente será essa a situação. Trata-se de uma reação normal e esperada, que constitui um misto de angústia, dor e saudades que pode ser provocado também por perda de um emprego, divórcio, etc.


A manifestação do luto é individual, comum a todos os seres humanos, mas possui extrema relação com aspectos culturais. Por exemplo, em nosso país o luto é representado pela cor preta, enquanto no Japão se dá pela cor branca.


Em 1969, a psiquiatra suíça Elisabeth Kübler-Ross publicou um modelo que divide o luto em cinco etapas diferentes, sendo chamado
também de “Os cinco estágios do Luto”.
O modelo foi proposto após estudo com pacientes em estado terminal, que segundo Kübler-Ross, tinham reações semelhantes as apresentadas por um enlutado. Essas fases são:

Negação e isolamento

Raiva

Barganha

Depressão

Aceitação


Cabe lembrar que esses estágios não são fixos e podem apresentar ordem diferente de manifestação. Não necessariamente todos eles estarão presentes no processo de luto.


No contexto da pandemia, os profissionais de saúde que trabalham na linha de frente têm discutido muito a questão do luto.
Os pacientes internados, que são os que mais sofrem, ficam afastados de seus entes queridos durante todo o tempo. A dor provocada pela incerteza é uma das mais difíceis de se lidar.


As equipes de saúde, por sua vez, ficam extremamente sobrecarregadas e acabam por enfrentar grandes problemas na relação com o paciente e sua família. Seja pela tensão do próprio isolamento ou pela carga de trabalho, o fato é que há extrema dificuldade em transmitir a informação de forma adequada, prejudicando o vínculo.


Durante os últimos meses, vimos pessoas sofrerem com 2 ou mais mortes de familiares em um curto espaço de tempo. E mesmo quando não há
óbito, os próprios transtornos relacionados a essa alta carga emocional da pandemia, influenciadas pelo drama individual e coletivo, geram muitas vezes enorme prejuízo na qualidade de vida de todos os envolvidos.


Afinal, estamos vivenciando circunstâncias inéditas para todos. Com isso as respostas a esse cenário, incluindo o próprio luto, só poderão ser avaliadas em toda sua magnitude no longo prazo.


Enquanto isso, nós profissionais de saúde devemos estar prontos para intervir da melhor forma pelo tempo que a pandemia durar, mesmo em meio ao caos, tirando lições preciosas dessa vivência. Já a população como um todo terá de lidar com a incerteza do dia-dia, da mudança do convívio, do distanciamento, das possíveis perdas e das informações desencontradas.


O caminho continuará tortuoso para quem cuida e para quem é cuidado.

Fibrose cística e a inatividade física

A fibrose cística é caracterizada por infecções crônicas e recorrentes do pulmão, insuficiência pancreática e elevados níveis de cloro no suor. Mesmo sendo uma doença genética, existem fatores ambientais (que temos controles) que também influenciam diretamente na sua evolução.

A doença tem como consequência uma série de problemas: desnutrição proteico- energética, alteração significativas no metabolismo geradas pelo processo inflamatório do pulmão, ocorre diminuição da massa muscular e da densidade mineral óssea.
Logo, uma pessoa que adquirir essa doença vai sentir fatiga muscular e têm risco aumentado de fraturas, o que afasta essas pessoas das atividades físicas.

Com a diminuição da atividade física por parte do paciente e a evolução da doença, existe um ciclo vicioso que torna a pessoa cada vez mais incapacitada fisicamente. Isso faz com que a pessoa sinta fadiga cada vez com esforços físicos cada vez menores.
Por fim, ocorre a perda da qualidade de vida.

Em outra perspectiva, estudos demonstram que pacientes que praticam exercícios físicos regulares junto com a terapia padrão desfrutam de inúmeros benefícios como: desobstrução da árvore brônquica, diminuição da resistência à insulina (que leva o açúcar do sangue para a célula) e melhora da composição corporal. Há melhor desenvolvimento ósseo, diminuição da degradação proteica, melhora da função imunológica e maior resistência aos esforços físicos. A melhor consequência pode ser o aumento da auto-estima.

Talvez, a explicação para isso, é a quebra do ciclo vicioso da inatividade e das consequências corporais da fibrose cística. No entanto, ainda não se pode cravar uma resposta, já que estão sendo feitos estudos para avaliar melhor como funciona esse mecanismo. O que se sabe é que a atividade física ajuda e muito esses pacientes, principalmente na melhora da qualidade de vida. É recomendado conversar com o seu médico para saber quais exercícios se encaixam melhor para as suas condições.

Fontes:

https://www.scielo.br/pdf/rbsmi/v7n3/03.pdf

https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-52732008000600011&lng=pt&nrm=iso

Melanoma Cutâneo

O que é?

Melanoma é um tipo de câncer de pele que se dá através do crescimento desenfreado dos melanócitos, que são células presentes na epiderme que ao produzirem melanina dão coloração a pele. A maioria dos melanomas consegue continuar produzindo melanina, tendo eles, então, uma coloração escurecida. Entretanto, existem melanomas que não produzem melanina, podendo se apresentar na cor rosa ou até mesmo na cor branca.

De acordo com o American Cancer Society, o melanoma cutâneo é o câncer menos comum quando comparado a outros tipos de câncer de pele, entretanto é o mais perigoso porque tem uma maior capacidade de crescer e gerar metástase para os outros órgãos.


Fonte: American Cancer Society

O melanoma pode se desenvolver em qualquer região da pele, porém é mais comum que se desenvolva no peito e nas costas em homens e nas pernas em mulheres. Entretanto, vale ressaltar que o melanoma pode surgir nos olhos, boca, genitália, palmas das mãos, solas dos pés e até mesmo nas unhas, por mais que não sejam locais muito comuns. Assim, caso apareça alguma mancha nova em alguma dessas regiões, procure um médico.

Como evitar?

  • Evitar exposição aos raios UV (sol e bronzeamento artificial, por exemplo)
  • Proteger crianças da exposição ao sol
  • Usar filtro solar
  • Usar roupas com proteção contra raios UV
  • Usar óculos de sol
  • Usar chapéu

Pessoas com melanoma costumam ter histórico precoce de queimaduras solares ou exposições intensas ao sol, embora nem todo mundo tenha este histórico. Isso ocorre porque a exposição precoce ao sol pode danificar o DNA dos melanócitos, aumentando o risco do desenvolvimento de melanoma. Assim, para prevenir a doença é necessário que as pessoas respeitem os itens listados acima.

Como suspeitar de melanoma?

Uma pinta normal geralmente tem cor uniforme e pode ser plana, elevada, redonda ou oval. Depois que ela aparece, costuma ficar do mesmo tamanho, forma e cor por muitos anos, sendo algumas presentes desde o nascimento e outras com o aparecimento durante a infância ou na idade adulta.

Os principais sinais de alerta do melanoma são o surgimento de uma nova pinta ou uma pinta já existente mudar de tamanho, forma e/ou cor.

Uma boa maneira de identificar os sinais de perigo é utilizar o ABCDE, melhor explicado na imagem abaixo.


Fonte: Saúde Novartis

Pesquisa genética de melanoma

O melanoma não é só uma doença gerada por exposição a fatores de risco. Ele também tem bases genéticas. Então, pessoas que tenham um forte histórico familiar de melanoma devem estar mais atentas a qualquer alteração na pele.

Diagnóstico

  • História de exposições a luz solar do paciente
  • História familiar de melanoma
  • Biópsia

Outros exames podem ser pedidos após o diagnóstico quando há suspeita de malignidade como exames de imagem para procurar metástases e exame de sangue afim de dosar os níveis de LDH, verificar a função hepática, renal e hematopoiética.

Tratamento

Quanto mais precoce for descoberto o melanoma, mais provável de ele poder ser curado com apenas uma ressecção cirúrgica. Porém, uma pequena parte, por já estarem em um estágio mais avançado, necessitarão de mais etapas de tratamento como imunoterapia, medicação em alvo ou quimioterapia.

Após o tratamento, é importante que o paciente continue em acompanhamento médico por alguns anos para observar se haverá recidiva ou metástase.

Referências

http://www.cancer.org/content/dam/CRC/PDF/Public/8823.00.pdf

http://www.cancer.org/content/dam/CRC/PDF/Public/8825.00.pdf

Grau de Processamento dos Alimentos

Em 2014 quando o Guia Alimentar para a População Brasileira foi lançado, a orientação para o consumo dos alimentos mudou, a classificação passou a ser feita de acordo com o seu grau de processamento dos alimentos. Em janeiro de 2016, essa classificação foi publicada e denominada como NOVA, categorizando os alimentos de acordo com a extensão e o propósito de seu processamento, sendo hoje usada mundialmente.

Mas como escolher os alimentos para compor uma alimentação nutricionalmente balanceada, saborosa e culturalmente apropriada, sendo também promotora de sistemas alimentares socialmente e ambientalmente sustentáveis?

O grau de processamento dos alimentos influencia no perfil de nutrientes, no gosto, no sabor e com quais outros alimentos serão consumidos, as circunstâncias e a quantidade.

Alimentos in natura ou minimamente processados: os alimentos in natura são partes de plantas ou animais, como carnes, verduras, legumes e frutas, sem que tenham sofrido alguma alteração. Já os alimentos minimamente processados são aqueles submetidos a processos mínimos, como limpeza, moagem e pasteurização. Nesse grupo temos como exemplo o arroz, feijão, lentilha, leite, etc.

Ingredientes culinários processados: são substâncias extraídas diretamente dos alimentos da natureza e são usados nas cozinhas para temperar e cozinhar alimentos e criar preparações culinárias. Eles passam por processo de moagem, prensagem, refino, secagem. Neste grupo temos como exemplo a manteiga, açúcar, mel, sal, óleo vegetal etc.

Alimentos processados: são fabricados pela indústria contendo adição de sal ou açúcar ou outra substância de uso culinário com o objetivo de torná-los duráveis, palatáveis e atraentes. Nesse grupo temos como exemplo os alimentos em conserva, queijo, pães, frutas em calda etc.

Alimentos ultraprocessados: são formulações industrias que possuem pouco ou quase nada de um alimento inteiro, sendo majoritariamente compostos de substâncias extraídas de alimentos (óleos, gorduras, açúcar etc), derivadas de constituintes de alimentos (gordura hidrogenadas e amido modificado) ou sintetizadas em laboratório (corantes, aromatizantes, realçador de sabor, aditivos). Nesse grupo temos como exemplo biscoitos recheados, balas, mistura para bolos, sorvetes, geleias etc.

Os alimentos in natura ou minimamente processados devem ser a BASE da nossa alimentação, eles possuem uma grande variedade, além de serem fontes de fibras, vitaminas, minerais, fitoquímicos.

Os óleos, gorduras, sal e açúcar devem ser usados em pequenas quantidades ao temperar e cozinhar alimentos e criar preparações culinárias para que tornem a alimentação mais saborosa e diversificada, sem torna-la nutricionalmente desbalanceada.

Os alimentos processados devemos LIMITAR, consumindo em pequenas quantidades porque os ingredientes e os métodos de processamento utilizados alteram de modo desfavorável a composição nutricional.

Por fim, os alimentos ultraprocessados devem ser EVITADOS pois quando fabricados envolve muitas etapas e técnicas de processamento, além de muitos ingredientes. Então a composição nutricional destes produtos possui um excesso de calorias e uma composição nutricional desbalanceada.

Como o nosso querido Guia já diz em sua Regra de Ouro: “Prefira alimentos in natura ou minimamente processados e preparações culinárias a alimentos ultraprocessados.”

Referências:

BRASIL. Ministério da Saúde. Guia alimentar para a população brasileira: promovendo a alimentação saudável. Brasília: Ministério da Saúde, 2006. 210p. (Série A. Normas e Manuais Técnicos). Disponível em: http://nutricao.saude.gov.br/docs/geral/guia_alimentar_conteudo.pdf

Rede de Alimentação e Nutrição do Sistema Único de Saúde. Disponível artigo em português sobre a classificação de alimentos NOVA. RedeNutri, 2016. Disponível em: http://ecos-redenutri.bvs.br/tiki-read_article.php?articleId=1331

%d blogueiros gostam disto: